TC School / Educação Financeira

Mesada educativa: a educação financeira para as crianças

14/06/2021 às 12:09

TC School

Já ouviu falar em mesada educativa? É um assunto interessante na hora de introduzir o tema de educação financeira para as crianças. Afinal, falar sobre a relação com o dinheiro com filhos e filhas não é uma questão comum no Brasil. É algo cultural, ou seja, que não faz parte de nossa cultura. Mas, vez ou outra, recebo algumas perguntas sobre como falar sobre dinheiro, quando começar, o que fazer. Acredito ser uma dúvida que atinge muitos pais e mães. Então, nada melhor do que falar um pouco sobre isso neste texto.

É ponto batido que a educação financeira deveria fazer parte da educação escolar dos brasileiros há muito tempo. Na verdade, vou além. Educação financeira é uma questão de hábitos, não somente de teorias ou possibilidades. É, acima de tudo, hábito, costume.

Dessa forma, é algo que deve vir, como falamos aqui na Bahia, de berço. É algo que precisa ser plantado em casa para que se torne algo comum na vida na criança. Claro que respeitando os entendimentos e as diversas fases da infância.

Nesse texto você vai encontrar:

  • Cada qual no seu cada qual
  • Mesada educativa
  • Aprendizado com diversão

Boa leitura!

mesada para crianças

Cada qual no seu cada qual

Quando se trata de crianças, e falo isso com propriedade de pai de um filho de quatro anos, é comum que haja comparação:

– Meu filho andou com um ano
– Mas minha filha falou “mamãe” com seis meses
– Os meus começaram a ler antes dos dois anos

Exageros à parte, essa é uma questão que aflige pais e mães de diferentes maneiras. E há uma recomendação constante: evite comparações. Não é saudável comparar o desenvolvimento de diferentes crianças, com diferentes realidades, em diferentes situações. Cada uma terá um desenvolvimento próprio, inclusive com grande influência do ambiente familiar.

Esse preâmbulo é importante porque o mesmo raciocínio deve ser aplicado aqui. Não há uma regra de idade ou momento ideal para começar a falar com a criança sobre dinheiro e, consequentemente, educação financeira e até estipular uma mesada educativa. É algo que os pais devem perceber e ter a sensibilidade para incluir aos poucos.

A ideia é fazer a utilização de conceitos ou comparações à medida que a criança demanda ou mostra ter maturidade para tal. Uso o meu caso como exemplo. Pedro, meu filho, tem quatro anos recém completos. Há pouco menos de um ano tento introduzir alguns conceitos relacionados ao dinheiro para ele, sempre respeitando o limite do lúdico e educacional e também a capacidade de entendimento que ele tem.

Um exemplo do que faço para que ele possa ter o entendimento do valor do dinheiro já dentro de casa é aproveitar os momentos em que ele pede algo. Seja um chocolate no mercado ou um brinquedo que vê de outro amigo uso o pedido dele para ensinar que é preciso ter dinheiro e que, para conseguir o dinheiro, é preciso trabalhar. Considero que tenho tido sucesso nesse processo porque hoje mesmo tive um diálogo assim:

– Papai, compra um desse pra mim?
– Primeiro a gente tem que ver se tem dinheiro pra isso, não é?
– É. Mas se não tiver você trabalha, ganha mais dinheiro, trabalha mais, ganha mais e aí a gente compra, certo?

A lição tem sido compreendida.

Mesada educativa

Ajudar a criança a ter essa noção sobre o esforço e recompensa, ou para ficarmos na realidade, sobre o que nos faz ter dinheiro, é o caminho inicial para que o processo de educação financeira possa ser bem realizado. Essa noção faz com que elas comecem a dar valor ao dinheiro, a perceber que é preciso fazer algo, no caso, trabalhar, para ter a recompensa financeira. Dessa forma, a mesada educativa pode funcionar.

Você pode não considerar essa a maneira ideal de falar sobre o dinheiro, pode não achar romântico ou saudável. Mas vou te falar: é a realidade. Trabalhamos para ter uma recompensa financeira, o salário. É assim que funciona.

Ensinar essa relação é o primeiro passo para que a criança tenha noção que, como meu pai falava quando era mais novo, “dinheiro não dá em árvore”. Isso faz com que ela valorize o dinheiro que os pais têm, inclusive valorize o que for conquistado através desse dinheiro.

Esse sentimento também vai ajudar bastante no momento que a criança começar a receber a mesada educativa. Influenciará ela a ter maior cuidado e atenção com o valor recebido. Por falar em valor, vamos à mesada de fato.

Mais uma vez, estipular valor ou periodicidade para que a criança receba a mesada educativa é algo que deve ser evitado. Cada família tem uma realidade, e isso deve respeitado. Então, quanto a esses dois quesitos, faça o que for melhor para sua realidade.

O ponto que merece atenção é a “regra” da mesada. Dar a mesada simplesmente por dar, para que a criança possa ter o seu próprio dinheiro, pode ser tudo, menos ensinar bem a relação com o dinheiro. Afinal de contas, em qual outro momento da vida ela vai ter a certeza que vai receber um determinado valor sem precisar ter feito nada?

Você poderia responder que na aposentadoria, mas estaria errado. Para que possa se aposentar é preciso ter feito muito ao longo da vida.

Então, a mesada, para ser educativa, precisa estar relacionada a alguma contrapartida. Não precisa – e não deve – ser nada exagerado. Tampouco é indicado vincular a tarefas da casa, como arrumar a cama, guardar brinquedos ou lavar a louça. Isso deve ser encarado como uma forma de cooperação para o convívio da família, não como um trabalho que mereça recompensa.

O ideal é tentar incluir nesse ponto situações além do que ela poderia fazer no dia a dia. Mas, obviamente, não é uma regra rígida. Não tem como incluir outras situações que sirvam como “lição”? Cria um conjunto de regras com a ajuda doméstica e outros itens, como cumprir o combinado, ajudar a economizar energia, arrumar a casa, etc.

Uma sugestão prática nesse caso: faça uma planilha com diversos itens que podem ser considerados como tarefas. Gosto de incluir situações que possam gerar benefícios, como a da economia de energia (Pedro vive reclamando quando alguém esquece a luz de algum cômodo acesa) porque isso ajuda a gerar o pensamento de evitar o desperdício. A partir dessa tabela, estipule valores ou percentuais para a realização de cada uma delas durante a semana.

Ao final do mês ou das semanas, a criança saberá exatamente quanto vai ganhar, o motivo de ter ganho aquela quantidade e o que pode fazer para ganhar mais. É o entendimento da relação com o dinheiro na prática.

Mas, Raphael, posso fazer isso a partir de que idade? A partir do momento que a criança tem noção sobre os valores. Não adianta tentar aplicar essa mesada com Pedro, que tem quatro anos. O que faço com ele? Apenas guardo alguns valores, junto com ele, para mostrar que precisamos poupar para ter algo. É um ensinamento leve, sem falar quanto está sendo guardado ou quanto precisa (na verdade, sempre guardo muito menos do que precisa porque ele não tem essa noção ainda).

Aprendizado com diversão

A utilização de uma mesada educativa é uma forma de continuar a educação financeira da criança. Não tenha dúvidas que ela, lá na frente, terá outra relação com o dinheiro. Ao relacionar a mesada às atividades, passamos a mostrar o valor do dinheiro, seja com a necessidade de economizar, seja com a necessidade de buscar receber mais.

O que precisa ser trabalhado também é a noção de custo de oportunidade. Não falo para privar a criança de tudo, mas vez ou outra trabalhar nela que não se pode ter tudo. Ao escolher um brinquedo para comprar com o dinheiro que economizou, não poderá ter o outro que também deseja. Sei que o coração de pai ou mãe vai querer comprar, o que vai acontecer muitas vezes, mas é preciso ensinar esse conceito na prática.

Não estamos apenas ensinando a educação financeira para as crianças, mas formando adultos que lidarão melhor com o dinheiro. E, para ajudar nesse processo, podemos contar com a diversão.

No ano passado, o TC School lançou uma coleção de gibis infantis para falar sobre educação financeira com as crianças. Os livrinhos podem ser um bom começo para ajudar no ensino das finanças dentro de casa. Aproveite para baixar os gibis e implantar a mesada educativa.

Raphael Carneiro
Raphael Carneiro
Jornalista
Planejador financeiro associado à Planejar

TC School

A sua escola como investidor.

Disclaimer: Este material é produzido e distribuído somente com os propósitos de informar e educar, e representa o estado do mercado na data da publicação, sendo que as informações estão sujeitas a mudanças sem aviso prévio. Este material não constitui declaração de fato ou recomendação de investimento ou para comprar, reter ou vender quaisquer títulos ou valores mobiliários. O usuário não deve utilizar as informações disponibilizadas como substitutas de suas habilidades, julgamento e experiência ao tomar decisões de investimento ou negócio. Essas informações não devem ser interpretadas como análise ou recomendação de investimentos e não há garantia de que o conteúdo apresentado será uma estratégia efetiva para os seus investimentos e, tampouco, que as informações poderão ser aplicadas em quaisquer condições de mercados. Investidores não devem substituir esses materiais por serviços de aconselhamento, acompanhamento ou recomendação de profissionais certificados e habilitados para tal função. Antes de investir, por favor considere cuidadosamente a sua tolerância ou a sua habilidade para riscos. A administradora não conduz auditoria nem assume qualquer responsabilidade de diligência (due diligence) ou de verificação independente de qualquer informação disponibilizada neste espaço. Administradora: TradersNews Informação & Educação Ltda. Todos os direitos reservados.

TradersClub

O app essencial para investidores do mercado financeiro brasileiro.

Uma comunidade com milhares de investidores, ferramentas e serviços que vão ajudar você a investir melhor!

TradersClub