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TC School / Educação Financeira

Você sabe o que é reduflação?

20/09/2021 às 11:53

TC School

Você sabe o que é reduflação? Conheça mais sobre esse “fenômeno”, traduzido do termo em inglês “shrinkflation”.

Um tuíte de Felipe Pontes, diretor educacional do TC School, na última semana me fez lembrar de uma situação específica que vivi. A partir daí, me deu a ideia para um texto sobre o tema. O que o professor Felipe Pontes postou foi o seguinte no Twitter:

A partir dessa postagem dele, me lembrei de uma pizzaria que havia avisado aos clientes, eu inclusive, que iria aumentar o valor das pizzas por causa do aumento de preço dos produtos. Eles estavam fazendo isso, segundo o comunicado, para não terem que mudar a qualidade do que era vendido.

Foi aí, contrastando estes dois cenários, que me veio a ideia de falar sobre a reduflação. O nome pode parecer estranho, faz muita gente torcer o nariz. Mas ela é bem comum, e convivemos com esse fenômeno há muito tempo. Você podia apenas não saber o nome dele.

Nesse texto você vai encontrar:

• Inflação
• O que é reduflação
• Exemplos na prática

Boa leitura!

Inflação

Para começar o assunto, é bom lembrar o conceito de inflação. Afinal, ele tem total relação com a reduflação.

Basicamente, a inflação pode ser entendida como o aumento generalizado do nível de preços dos produtos em uma economia: o aumento do preço ao longo do tempo. Temos sentido uma inflação ainda mais forte desde o início da pandemia por diversos fatores, como a restrição de alguns produtos, o choque de oferta e uma maior liquidez financeira.

Sentimos a inflação na pele ao ir ao mercado, ao shopping, à padaria. Mas os níveis dela também são medidos matematicamente. No Brasil, dois índices podem ser utilizados como balizadores da inflação. O primeiro deles é o IPCA – Índice de Preços ao Consumidor Amplo. Ele é utilizado pelo Banco Central como o medidor oficial da inflação brasileira.

O IPCA é medido mensalmente pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e tem como objetivo informar as principais variações de preços no comércio para os consumidores finais. Nele, são considerados serviços e itens das seguintes categorias: alimentação e bebidas, artigos de residência, comunicação, despesas pessoais, educação, habitação, saúde e cuidados pessoais, transportes e vestuário.

Outro índice que nos ajuda a entender a dinâmica da inflação é o IGP – Índice Geral de Preços. Ele foi criado na década de 1940 pela Fundação Getúlio Vargas para servir como uma medida abrangente do nível de preços do Brasil.

Dessa forma, o IGP capta não apenas os custos de produtos e serviços para os consumidores finais, como o IPCA, mas também o custo de matérias primas industriais e agrícolas.

Para seu cálculo são levados em consideração três índices. São eles:

  • INCC que mede a variação de custos na construção civil do país;
  • IPA que registra as variações de preços de produtos agropecuários e industriais nas transações entre as empresas;
  • IPC que mede a variação do preço de uma cesta de bens e serviços para uma família com renda situada entre 1 e 33 salários mínimos.

O que é reduflação

Agora, com o conceito de inflação bem definido, podemos avançar para uma de suas consequências, que é a reduflação. Em termos conceituais, a reduflação é o processo em que os produtos diminuem de tamanho ou quantidade, enquanto o seu preço se mantém inalterado ou aumenta.

Ficou mais claro agora, não foi?

Mas se ainda tem alguma dúvida, dá para ser ainda mais específico. Sabe quando um produto muda de 1kg para 800g e o preço permanece o mesmo? Isso acontece porque os produtores não querem fazer o aumento do preço final. Assim, passam a impressão de que não houve aumento.

No entanto, não precisa pensar muito para perceber que houve aumento sim. Se antes a gente pagava R$ 10 por 1kg do produto e agora paga R$ 10 por 800g, o preço da grama subiu.

Situação 1

  • Tamanho do produto: 1kg
  • Preço: R$ 10
  • Preço por grama: R$ 0,01

Situação 2

  • Tamanho do produto: 800g
  • Preço: R$ 10
  • Preço por grama: R$ 0,0125

Nesse caso, a jogada funciona para muitos consumidores desatentos. Ao não olhar o tamanho do produto, pensam estar levando um pacote/caixa pelo mesmo valor. Só se dão conta quando o consumo diário mostra que a quantidade não é o suficiente para o que estavam acostumados.

Exemplos na prática

Não faltam, então, exemplos de onde encontrar a reduflação. Ela está presente no sabão em pó, nos biscoitos recheados, sucos, pacotes de arroz e feijão. Um caso clássico é a caixa de chocolates e bombons. Cada dia menor e mais fina.

A prática, apesar de irritar, não é ilegal. As empresas podem fazer a redução dos produtos desde que informem na embalagem quando isso acontecer. No entanto, os órgãos de defesa do consumidor defendem que nem sempre o aviso é suficiente. Esse aviso precisa cumprir algumas regras, como estar na parte frontal do produto e com certo destaque.

No caso de um produto sofrer alteração sem que esse aviso esteja claro, o consumidor pode fazer uma reclamação ao Procon de sua cidade.

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Raphael Carneiro
Raphael Carneiro
Jornalista e planejador financeiro
Certificação CFP (Certified Financial Planner) concedida pela Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros.

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