TC School / Educação Financeira

Rico é sempre o outro: definição de riqueza no Brasil

24/05/2021 às 11:46

TC School

Você se considera rico(a)? Qual seria a definição de riqueza para fazer parte desta lista? A resposta para a primeira pergunta normalmente é “não”. Não importa quanto você ganhe, onde vive, qual o estilo de vida. Geralmente, não nos consideramos ricos.

Existem, de fato, alguns métodos que podem ser utilizados para avaliar riqueza. São, em sua maioria, questionários objetivos ou medidas pré-definidas para que a classificação social seja feita sem a interferência de pontos subjetivos.

Que tal falar um pouco mais sobre isso? Será que você pode ser considerado rico(a)? Nesse texto você vai encontrar:

  • Mudança com pandemia
  • Números objetivos
  • Ricos são os outros
  • Onde estão os mais ricos?
  • Só o dinheiro conta?

Boa leitura!

riqueza no brasil

Mudança na pandemia

A ideia de fazer esse texto surgiu após a divulgação de uma pesquisa da corretora Charles Schwab. Nela, feita com investidores norte-americanos, foi mostrado que a maioria dos entrevistados acham que para ser rico é preciso ter um patrimônio líquido de US$ 1,9 milhão.

Contudo, um ponto que chamou atenção na pesquisa foi a diferença entre o entendimento atual e o que fora apresentado no ano passado, antes da pandemia.

Entre uma pesquisa e outra – com a grave pandemia no meio – uma diferença de US$ 700 mil. Atualmente, as pessoas acham necessário ter um patrimônio menor para que a riqueza seja considerada. Possivelmente, os impactos da covid-19 tiveram forte influência no entendimento do estilo de vida dos pesquisados.

Além disso, houve também outro ponto de destaque. Quanto mais novo o entrevistado, menor a exigência patrimonial para que uma pessoa seja considerada rica. Para comparação, o valor citado pelos millennials foi de US$ 1,4 milhão, enquanto os baby boomers citaram US$ 2,5 milhões.

Não houve um estudo recente com as mesmas características no Brasil, mas nada nos impede de trazer os conceitos para nossa realidade e levantar a discussão sobre o entendimento de riqueza.

Números objetivos

Quem é rico e quem não é?

Como disse antes, não há um conceito único e específico que diga quem é rico e quem não é. Mas existem algumas classificações que são utilizadas no Brasil. Os critérios passam pelo Critério Brasil da ABEP, que utiliza uma pesquisa mais extensa, da SAE e da FGV. O mais utilizado e mais prático de entender é o do IBGE.

O IBGE utiliza a renda mensal das pessoas que moram na mesma casa para elencar os brasileiros entre os mais ricos ou os mais pobres. O conceito é simples e direto ao utilizar uma classificação a partir do salário mínimo. Não quer dizer, no entanto, que seja o critério mais justo ou correto. Mas é uma base que podemos levar em consideração.

A divisão feita pelo IBGE é com base nas classes A, B, C, D e E. Da base para o topo, a evolução acontece da seguinte maneira:

  • Fontes de renda da casa de até dois salários mínimos: classe E
  • Fonte de renda da casa entre dois e quatro salários mínimos: classe D
  • Fonte de renda da casa de quatro a 10 salários mínimos: classe C
  • Fonte de renda da casa de 10 a 20 salários mínimos: classe B
  • Fonte de renda da casa acima de 20 salários mínimos: classe A

Essa é uma classificação que leva em conta todos os tipos de renda de uma residência. Os valores vão desde o salário CLT até o recebimento de aluguéis ou dividendos, por exemplo, e somam todas as receitas de uma residência.

Neste ano, um levantamento do Instituto Locomotiva, que separa as classes entre classe baixa, média e alta, mostrou que houve um encolhimento da classe média durante a pandemia.

como ser rico

Elaboração própria | Fonte: Locomotiva

Para este levantamento, o Instituto utiliza valores per capita e também familiares de uma residência. Os valores são levantados da seguinte maneira:

ricos no brasil

Elaboração própria | Fonte: Locomotiva

Dessa forma, há uma diferença entre os valores coletados pelo IBGE, mas há também uma divisão maior e mais detalhada, o que pode representar de forma mais assertivas os brasileiros dentro de suas classes sociais.

Ricos são os outros

Números à parte, a definição de riqueza ou não deve levar em conta também o sentimento e o estilo de vida de cada pessoa. E, nesse ponto, há algo quase que em comum em boa parte das pessoas: ricos são sempre os outros.

Você pode observar isso no seu dia a dia, nas conversas, nos relatos. Mas há também um estudo específico sobre a área, como é o caso do levantamento Desigualdade no Brasil, da Oxfam Brasil em conjunto com o Datafolha. A última publicação nesse sentido foi em 2019 e mostrou um comportamento singular.

Dos entrevistados, 85% se colocaram na metade mais pobre do país, enquanto 16% se classificaram como integrantes da metade mais rica. No entendimento de 32% dos entrevistados, era preciso ter uma renda mensal de R$ 50 mil para estar entre os 10% mais ricos do Brasil.

Já em 2017, quando foi feito o mesmo levantamento, 30% responderam a mesma coisa. Do outro lado da pirâmide financeira, 67% dos entrevistados acreditavam que os pobres no Brasil ganhavam mais de R$ 700.

Em relação à classe social, 49% dos brasileiros se colocavam como integrantes da classe média baixa, 32% se classificavam como classe média alta e apenas 2% se incluíam na classe alta brasileira.

Onde estão os mais ricos

Diante de tanta subjetividade neste tema, a FGV fez o estudo “Onde estão os mais ricos no Brasil?” com dados das declarações do Imposto de Renda de Pessoa Física de 2018. De acordo com o levantamento, a capital do país com a maior renda por habitante era Florianópolis, com R$ 3.998 mensais, seguida por Porto Alegre e Vitória. Apenas depois vem São Paulo (4º), Curitiba (5º), Brasília (6º) e o Rio de Janeiro (7º).

Mas há um ponto a ser observado. O estudo analisa a renda pela quantidade de habitantes da cidade. Quando se exclui quem não declara o imposto de renda, o valor estimado de Brasília chegava a R$ 11.994.

Foi identificada também uma grande desigualdade entre as regiões do país. Por exemplo: a renda de Brasília era oito vezes maior que a renda média do Maranhão, o estado mais pobre do país, com uma média de R$ 363 por mês. Além disso, 17 dos 27 estados brasileiros tinham renda média menor que R$ 1.000, sendo que nenhum desses das regiões Sul ou Sudeste.

Só o dinheiro conta?

A definição ou a sensação de estar entre os mais ricos não leva em conta somente os valores recebidos em uma casa ou individualmente. O fato de estar entre os mais privilegiados gera consequências em outros pontos da vida.

Quanto maior a renda, melhor o acesso à educação, à qualidade no tratamento de saúde, maiores as facilidades e as condições de ter sucesso profissional.

São pontos e sensação que são levadas em conta na hora de entender quem faz parte de cada estágio da camada social. A mudança de patamar também não é algo fácil e rápido de se conseguir. Não há ilusão nesse sentido, assim como não há atalho.

Independente da classe em que você se considera atualmente, buscar uma evolução depende de esforço, disciplina e, também, conhecimento. Aproveite os textos, cursos e treinamentos do TC para que possa aprimorar suas qualidades em relação aos investimentos e use-o da melhor maneira possível para que consiga evoluir em busca de sua riqueza.

Raphael Carneiro
Raphael Carneiro
Jornalista
Planejador financeiro associado à Planejar

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