TC School / Finanças comportamentais

Economia comportamental: as decisões sobre investimentos

19/07/2021 às 12:31

TC School

O tema hoje é sobre economia comportamental, vieses e heurísticas. Você já ouviu falar?

Tomar decisões é algo que fazemos milhares de vezes ao longo dos dias. Decisões que exigem conhecimento e raciocínio. Mas que não contam somente com o lado racional para serem avaliadas. 

O conhecimento para a tomada das mais diversas decisões é algo que possuímos na maioria das vezes. Mas que nem sempre são seguidos à risca. O que significa que ter o domínio do tema não é certeza da melhor tomada de decisão possível.

Quantas vezes não falou ou ouviu alguém comentando algo do tipo: “Mas logo ele fez isso? Uma pessoa que sabe tanto, formado, pós-graduado e gasta o dinheiro assim?”.

Isso acontece porque a relação que temos com o dinheiro não é 100% racional. Ela exige muito do lado emocional, dos costumes e hábitos que temos.

Foi para estudar essa relação que surgiu a Economia Comportamental, tema importante para quem está iniciando no mundo dos investimentos e que abordarei no texto de hoje. Nesse texto você vai encontrar:

  • O que é economia comportamental
  • Homo Economicus
  • Homo Sapiens
  • Vieses e heurísticas –Heurística da representatividade, Ancoragem e ajuste, Excesso de otimismo, Excesso de confiança

Boa leitura!

economia comportamental

O que é economia comportamental

A definição mais fácil para a economia comportamental seria dizer que é o ramo da economia que tem como missão estudar o comportamento econômico.

Como citado acima, a premissa básica é que não somos 100% racionais nessas decisões e que tomamos medidas também, e principalmente, com base em nossas emoções.

Os principais estudos sobre a economia comportamental tiveram início com Richard Thaler, Daniel Kahneman e Amos Tversky. Entre as décadas de 70 e 80 do século passado, eles publicaram estudos levantando questões que não eram abordadas pela economia tradicional. O trabalho deles era estudar e tentar explicar esses campos.

Pelo entendimento da economia comportamental, as pessoas tendem a decidir com base em experiências pessoais, hábitos e regras práticas, que geralmente são simplificadas.

As pessoas são inclinadas a buscar velocidade no processo de tomada de decisão e, por isso, aceitam soluções consideradas apenas satisfatórias. Com isso, é papel do economista comportamental tentar entender essas decisões.

Dessa forma, a economia comportamental é uma junção entre os estudos da psicologia e da economia. É um campo relativamente novo de estudo, mas que tem dado significativos resultados.

Basta citar que em três oportunidades, 1978, 2002 e 2013, cientistas associados à Economia Comportamental receberam o Prêmio Nobel em Economia. Foram eles Herbert Simon (1978), Daniel Kahneman (2002) e Robert Shiller (2013).

Homo Economicus

Para o estudo da economia comportamental, a ciência faz a divisão em dois tipos de pessoas: aquelas que têm a razão acima de qualquer decisão e as que decidem com base em suas emoções e percepções.

No primeiro caso, aqueles que têm o processo de decisão 100% baseado no racional, há a classificação de “homo economicus”. Esta seria aquela pessoa que segue à risca todos os ensinamentos do campo racional.

As decisões financeiras são tomadas somente em observação ao que diz a matemática

Na dúvida entre comprar um apartamento ou alugar? Joga todos os dados em uma planilha e faz o que o resultado indicar como mais vantajoso. E assim segue em todas as decisões que precisa tomar na vida. 

O homo economicus vai ter sempre a certeza de ter tomado a melhor decisão possível do ponto de vista racional.

Esta linha de pensamento vem da escola econômica chamada de utilitarismo. Isso pois o entendimento é que a melhor decisão é tomada com o intuito de maximizar a utilidade.

Homo Sapiens

No entanto, como nós sabemos, praticamente ninguém consegue tomar a decisão com 100% do foco no racional.

Os seres humanos convivem com dúvidas e incertezas a todo instante e, além disso, têm o lado emocional como um forte fator influenciador para a tomada de decisão. 

Por isso, o homo economicus não é quem rouba a cena na economia comportamental. Ao equilibrar o lado emocional com o racional, prefere-se o estudo do homo sapiens.

O entendimento para a tomada de decisão na economia comportamental é que nem sempre o autocontrole é suficiente ou se faz presente. Afinal, para tomar uma decisão 100% baseada no racional seria necessário ter um grande controle das emoções para que elas possam ser completamente bloqueadas. 

Vieses e Heurísticas

Para que o estudo e o entendimento do comportamento humano possa ser feito de maneira padrão e, inclusive, com compreensão facilitada, foram denominados alguns vieses e heurísticas.

Estes são comportamentos e ações comuns a diversas pessoas em momentos similares. São costumes que se repetem sempre com forte influência do psicológico ou do emocional.

Os vieses e heurísticas são diversos. Hoje vamos falar sobre alguns deles.

É importante saber que é quase impossível eliminá-los. Mas a partir do momento que você tem consciência sobre cada um, passa a ser mais fácil identificar quando entram em ação. E, aí, cabe a cada um encontrar meios de controlá-los para que não influenciem negativamente nas decisões.

Alguns dos vieses são:

  1. Teoria do prospecto;
  2. Heurística da disponibilidade;
  3. Heurística da representatividade;
  4. Ancoragem; e
  5. Excesso de confiança.

Teoria do prospecto

A teoria do prospecto ou da perspectiva tem relação com as percepções de risco que nós temos.

De acordo com ela, tomamos decisões que são mais baseadas nos valores potenciais de perda do que nos valores potenciais de ganho. Isso nos mostra que a aversão que temos não é aversão ao risco, mas à perda. 

Seguindo por essa linha, se o indivíduo já está perdendo, ele está disposto a correr mais riscos para recuperar o seu capital. No entanto, se ele estiver ganhando, ele irá vender logo o ativo para assegurar o seu ganho.

Heurística da disponibilidade

Com base na heurística da disponibilidade, temos a tendência de valorizar eventos recentes e, dessa forma, projetá-los para o futuro. Acredita-se, dessa forma, que os acontecimentos serão repetidos de igual maneira no futuro.

Em relação aos investimentos, podemos ver um exemplo dessa heurística quando os investidores compram ações porque estava subindo de preço e, assim, acreditam que o movimento será mantido sem nenhuma outra análise. Ou que uma empresa que pagou bons dividendos no último período vai manter a média nos próximos.

Heurística da representatividade

Nessa heurística, vem à tona toda a experiência de vida da pessoa. A decisão passa a ser tomada com base na intuição, que usa a seu favor o histórico vivido.

É um atalho do raciocínio. Diante de uma situação onde tenha informações limitadas, o ser humano busca em seu conhecimento situações parecidas para que possa projetar o que irá acontecer. 

Ancoragem

Como o nome diz, o viés da ancoragem se assemelha a uma âncora, de fato. É uma espécie de marca na mente das pessoas que acaba fixando uma ideia.

No caso dos investidores, por exemplo, a ancoragem é muito utilizada com o preço de uma ação.

Vamos supor que João comprou a ação XPTO por R$ 30 e vendeu por R$ 35. Anos depois, ao se deparar com a mesma ação por R$ 25, ele tende a optar pela compra por imaginar que a empresa valha, no mínimo, os mesmos R$ 30 que comprou anterior. Ele ancorou a avaliação sobre a empresa àquele preço.

  • Excesso de confiança

Sabe quando você entra numa série positiva, acerta todas as decisões e tende a se achar infalível? Pois este é o excesso de confiança. Em relação aos investidores, há um risco muito grande.

Quando se acerta a avaliação de forma recorrente, a tendência é relaxar no trabalho por achar que tem feito tudo muito bem. E aí, o que vem pela frente são grandes perdas por ter superestimado as próprias habilidades. 

Raphael Carneiro
Raphael Carneiro
Jornalista
Planejador financeiro associado à Planejar

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