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Os efeitos do risco climático sobre o valor da empresa

20/01/2021 às 16:00

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O mundo passa por mudanças constantes. Cada vez mais os setores estratégicos das empresas terão a necessidade de gerenciar os riscos climáticos para uma economia global cada vez mais sustentável. Desta forma, no texto a seguir elencamos os impactos que do risco climático sobre o valor da organização, discutindo a correlação entre ambos. Para melhor guiar o leitor, o texto está divididos nos seguintes tópicos:

  • Valor da Empresa
  • Risco climático
  • Relação entre os dois conceitos
  • Reflexões: a importância dessa informação para o investidor

Boa leitura!

Valor da Empresa

Para que o investidor possa mensurar o valor de uma empresa no mercado de ações, deverá realizar um valuation do ativo. Ou seja, o primeiro passo do investidor fundamentalista é buscar qual método ele utilizará para fazer essa análise.

Uma das formas de fazer um valuation é utilizar os múltiplos com indicadores que buscam mensurar o valor de mercado de uma companhia.

Os indicadores fundamentalistas mais utilizados pela literatura e pelos investidores são:

Esse indicador vai evidenciar para o investidor se o valor de mercado da companhia está sendo negociada acima ou abaixo do valor contábil da empresa, no sentido que a empresa poderia estar classificada como barata se ela estivesse valendo menos que o seu valor contábil.

Já esse indicador, vai mostrar para o investidor, quantas vezes o investidor vai pagar pelo lucro atual da companhia, no sentido que quanto maior o P/L da companhia, maior é o crescimento esperado pela companhia.

Esse indicador é parecido com o de cima, uma vez que ele vai utilizar o valor de mercado da companhia e o EBITDA da companhia, assim, quanto maior o indicador, maior é o crescimento esperado pela companhia.

Na análise fundamentalista, esses três múltiplos podem ser utilizados para comparar empresas do mesmo grupo e comparar o indicador atual com a média histórica da companhia. Desta forma, é uma das formas de fazer o valuation de uma empresa.

A segunda forma para buscar o valor de mercado de uma companhia é por meio de modelos de descontos. Os modelos de fluxos de descontos mais utilizados pelo mercado são o modelo desconto de fluxo de caixa e o modelo de desconto de dividendos.

O modelo de desconto de fluxo de caixa tem como premissas a projeção de fluxos de caixa da companhia, para assim, chegar ao fluxo de caixa livre e em seguida, trazer todos esses valores ao valor presente, que será o valor da empresa.

Já o modelo de desconto de dividendos, vai projetar pagamentos de dividendos durante um período e em seguida trazer todos esses valores ao valor presente, o resultado será o valor da empresa.

Pode-se observar que existem diversas formas para que o investidor faça a mensuração do valor de uma empresa, entretanto, também deve-se lembrar que cada um desses modelos têm vantagens e desvantagens, sendo importante para o investidor entender cada um deles.

Risco climático

Valor da firma e risco climático: qual a relação?

Depois de entender como se pode mensurar o valor de uma empresa, trataremos agora sobre o risco climático. O conceito de risco climático é bastante diverso, porém, de forma simplificada, podemos associar o risco climático como a possibilidade de alguma atividade afetar de forma negativa o meio ambiente.

Desta forma, nos vem à cabeça a pergunta: como associar o risco climático com o valor de uma empresa? Bom, quando consideramos um modelo de desconto de fluxo de caixa, ou de dividendos ou por múltiplos, projetamos diversos valores por um certo período.

Entretanto, normalmente se desconsidera que aquela companhia poderá causar impactos no ambiente, seja por meio da sua própria atividade ou por possíveis desastres e isso certamente afetará os fluxos de caixas ou promessas de pagamentos futuros, impactando no valor dessa companhia.

No estudo elaborado por Krueger, Sautner e Starks (2020), que teve como amostra os investidores institucionais e executivos do Estados Unidos, evidenciou que eles acreditam que os riscos climáticos têm implicações financeiras nas empresas e isso faz com que eles busquem mensurar os riscos que determinada companhia poderá trazer ao meio ambiente nos seus modelos de análise.

Já o estudo de Lucas e Mendes da Silva (2018), que teve como amostra as empresas do setor elétrico do Brasil, evidenciou que a temperatura e a precipitação das chuvas têm impacto significativo no valor dessas empresas, sugerindo que existe a necessidade de mais investimento nesse setor, uma vez que com o advindo de grandes crises hídricas ou de outros riscos climáticos, essas empresas poderão perder valor de mercado.

Apesar de não ser do setor elétrico, vemos um caso recente na Sanepar (SAPR11), empresa de saneamento básico do Paraná, observando uma queda nascotações das ações nos últimos meses que podem ter relação com a crise hídrica que o Estado do Paraná vem passando.

Contudo, também devemos analisar que houve um reajuste tarifário inferior ao esperado pela Sanepar e isso também pode ter ajudado na queda das ações SAPR11, além de ser importante considerar a pandemia do Covid-19.

Fonte: TC Matrix

A importância dessa informação para o investidor

O texto acima vem para apresentar que fatores mais ligados a ESG podem ser adicionados no processo de tomada de decisão e análise de ações. Além disso, devemos ressaltar que empresas que possuem políticas ESG no longo prazo, entregam retornos maiores e com menos volatilidade que empresas que não possuem essas políticas. Fique atento!

Referência

KRUEGER, Philipp; SAUTNER, Zacharias; STARKS, Laura T. The importance of climate risks for institutional investors. The Review of Financial Studies, v. 33, n. 3, p. 1067-1111, 2020.

LUCAS, Edimilson Costa; MENDES-DA-SILVA, Wesley. Impact of climate on firm value: Evidence from the electric power industry in Brazil. Energy, v. 153, p. 359-368, 2018.

Ígor Leite
Ígor Leite
Contador e Mestre em Ciências Contábeis pelo PPGCC/UFPB
Contribui com textos educativos para o TC School

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