Os Delírios de Consumo de Becky Bloom, resenha e análise crítica - TC

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Os Delírios de Consumo de Becky Bloom, resenha e análise crítica

24/09/2021 às 15:00

TC School

O filme “Os Delírios de Consumo de Becky Bloom”, dirigido por Paul John Hogan (ano 2009) é uma adaptação do livro de mesmo nome, da autora britânica Sophie Kinsella.

Nos livros, a Becky Bloom – protagonista da história – possui uma sequência literária chamada “Shopaholic” (Delírios de Consumo). Já na adaptação para as telinhas, conhecemos a história (cheia de altos e baixos) da consumista Rebecca Bloomwood (conhecida por Becky Bloom).

Nesse texto, vamos falar um pouco dos principais pontos do filme e o que podemos aprender com a história da Becky. O texto se resume nos seguintes pontos:

  • Os Delírios de Consumo de Becky Bloom (2009)
  • Consumistas compulsivos – o problema pode surgir na infância
  • A Garota do Echarpe Verde
  • A negação
  • A superação
  • Lições importantes e pontos de reflexão

Boa leitura! 

Becky Bloom

Os Delírios de Consumo de Becky Bloom

O filme se passa em Nova York e mostra a trajetória da icônica jornalista Becky Bloom e sua persistência para conseguir o emprego dos sonhos: trabalhar como colunista de uma empresa de moda. Desde a infância era apaixonada pelo universo fashion, mas acabou trabalhando em uma revista falida, na coluna de jardinagem.

A reviravolta na vida da Becky inicia quando ela consegue uma entrevista para trabalhar numa renomada revista de moda, mas ao chegar lá, descobre que a vaga já havia sido preenchida. Tentando permanecer próximo ao seu sonho, a Becky consegue um emprego numa revista de finanças, do mesmo grupo editorial.

O que a Becky Bloom não esperava, é que esse emprego mudaria sua vida por completo!

Como poderia escrever sobre bons hábitos financeiros se as suas próprias finanças eram um verdadeiro caos? A partir daí, surge seu alter ego: a Garota do Echarpe Verde e uma sequência de altos e baixos na vida da protagonista.

Consumistas compulsivos – o problema pode surgir na infância

A primeira cena no filme mostra a infância da Becky Bloom e sua obsessão pela moda desde pequenininha. Essa cena em específico é muito interessante, pois trata de uma menina que sonhava em adquirir diversos itens de moda e considerava tudo mágico, como mesmo fala “não precisava de dinheiro, elas tinham os cartões mágicos”.

Apesar dessa cena demonstrar de forma cômica esse contexto, nos aborda uma visão crítica sobre o assunto. Um dos pilares da Educação Financeira é reconhecer o valor das coisas e compreender que sempre há um sacrifício interligado à obtenção de um determinado item ou serviço.

Quando crianças, o processo para compreender isso se torna mais difícil, pois ainda existe um grande tabu em falar de dinheiro com crianças, pois seria “conversa de adulto”.

Dados de 2020 de uma pesquisa do Serasa Experian revelam que cerca de 80% dos brasileiros não tiveram educação financeira até os 12 anos de idade.

A desmistificação disso vem ocorrendo lentamente nos últimos anos com as diversas iniciativas (projetos) que buscam mudar essa visão.

Entretanto, voltando para o contexto do filme “Os Delírios de Consumo de Becky Bloom”, vemos uma criança encantada pela ilusória magia do consumismo. Quando adulta, a Becky Bloom realiza todos os seus desejos de infância, se tornando assim uma grande endividada e cheia de problemas financeiros que acabam interferindo em sua vida pessoal.

O fato a se observar aqui é que esse contexto do filme nos revela uma problemática muito real na sociedade em que vivemos. Cada vez mais o marketing sedutor e os diversos meios de divulgação buscam “encantar” os consumidores.

As crianças podem se tornar um alvo fácil caso não tenham nenhuma instrução sobre educação financeira. Corroborando para a existência de adultos que não sabem lidar com seus recursos, e, consequentemente os tornando consumidores compulsivos (consumistas).

A Garota do Echarpe Verde

Como falamos anteriormente, o enredo do filme “Os Delírios de Consumo de Becky Bloom” inicia com a admissão de Bloom em seu novo cargo de colunista em uma revista de finanças. A protagonista foi alocada para escrever sobre boas práticas nas finanças pessoais. E então, o grande problema: Como escreveria sobre algo que era tão irreal em sua vida?

Bom, para isso, a protagonista resolveu escrever sobre suas experiências com as compras, dando um toque mais “positivo” ao desenrolar das suas histórias. Através dos seus textos de linguagem simples, conseguiu dar vários conselhos de boas práticas financeiras que foram um verdadeiro sucesso na coluna da revista.

Foi exatamente nesse contexto que surgiu o seu alter ego: a Garota do Echarpe Verde.

Para assinar seus artigos, ela precisava de um nome fictício que não revelasse sua identidade. Então, para todos os efeitos, a Garota do Echarpe Verde era uma assídua poupadora com vasta experiência e uma educação financeira invejável.

Do outro lado, existia apenas a Becky Bloom: endividada, com seus 12 cartões de crédito em inadimplência e prestes a ser colocada para fora do seu apartamento pelo não pagamento do aluguel.

A negação

O sucesso da Garota do Echarpe Verde foi uma alavancagem no reconhecimento da Becky Bloom enquanto jornalista. Mas esse mérito foi criado em cima de uma grande mentira. Além dos leitores, os chefes da protagonista também eram enganados pela Garota do Echarpe Verde.

Por ter mentido sobre sua verdadeira situação e qualificações, Bloom poderia facilmente ser demitida, piorando ainda mais a sua situação financeira.

Mas, o grande problema era com relação ao processo de negação em que ela se encontrava.

Frente aos malefícios que o consumismo desenfreado lhe causou, era óbvia a necessidade de mudança e de correr atrás do prejuízo. Mas, manter-se em negação e postergar mudanças era mais confortável.

Aliás, ao invés de pagar as dívidas e se pôr nos eixos, é muito mais prazeroso comprar uma bolsa a mais, não é?

Nesse ponto, podemos pensar um pouco além do que o contexto do filme “Os Delírios de Consumo de Becky Bloom” mostra. Muitas pessoas utilizam as compras como uma tentativa de suprir problemas pessoais. Isso é um ato extremamente perigoso.

As questões comportamentais são totalmente aplicáveis aqui. O ser humano está propenso a tentar buscar meios imediatistas de resolver seus problemas, e, por vezes, pode acabar gerando um outro bem maior.

Nesse ponto da história da Becky Bloom, temos uma sequência de acontecimentos negativos que a obriga a sair da sua bolha de negação pois não é mais uma escolha e sim a única solução.

A superação

Diante dos seus problemas, Becky resolve dar a volta por cima, fazendo um grande bazar de toda a sua extensa coleção de roupas, sapatos e bolsas. Esse ponto da história marca uma grande superação para a personagem: o desapego material e o pontapé para um consumo saudável.

A superação lhe foi imposta como obrigação, pois não haveria outras alternativas a não ser mudar e buscar meios de compensar os prejuízos em sua vida financeira. Mas o que o drama revela é a evolução da protagonista frente a realidade em que vive, tomando ciência das suas consequências.

Becky Bloom na vida real

Essa superação ocorre também na vida real?

Trazendo esse contexto para a realidade, infelizmente, muitas vezes isso não chega a ocorrer e se torna uma bola de neve na vida da população.

Um dado preocupante foi publicado pela Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), revelando que o percentual de famílias que relataram ter dívidas no mês de julho/2021 chegou a 71,4%, (o maior patamar da série histórica, iniciada em 2010).

O que podemos inferir da ficção e dos dados da realidade, é que ainda existem muitas “Becky Bloom’s” em processo de negação. Sendo assim, o processo de disseminação da educação financeira tem de ser ostensivamente propagado para alcançar o quantitativo de pessoas possível. Apenas com essa conscientização será possível alavancar mais superações – tal qual da Becky – na sociedade.

Lições importantes e pontos de reflexão

O filme “Os Delírios de Consumo de Becky Bloom (2009)”, narra de forma muito divertida toda a trajetória de altos e baixos da Becky Bloom. Contudo, certamente, nos inspira a pensar em diversas questões aplicáveis ao nosso dia a dia e em como podemos agir de forma mais assertiva como Garota do Echarpe Verde.

As principais lições que podemos destacar são:

Primeira lição

O marketing e os meios de divulgação podem ser perigosos, principalmente para as crianças que não possuem instrução sobre educação financeira. Se você tem filhos, sobrinhos, netos e etc., não deixe de auxiliar nesse processo de aprendizado.

Aqui no TC School temos uma sequência de gibis para o público infantil super didáticos que podem auxiliar vocês nessa tarefa.

Segunda lição

Não permanecer inerte em sua própria situação financeira, por mais desfavorável que a situação seja. O segredo para sair de um estado de negação é reconhecer suas próprias limitações e saber onde nosso bolso aperta.

Então, comece o quanto antes a estabelecer um planejamento financeiro para saber onde você pode melhorar.

Terceira lição

Transforme sua realidade em oportunidade.

No caso da protagonista do filme, a grande oportunidade foi gerar recursos através da venda dos itens que adquiriu enquanto consumista. Na vida real, a oportunidade pode ser pelo mesmo caminho ou buscando meios de empreender.

Quarta lição

Por mais complicado que seja, nunca é tarde para mudar os hábitos e a forma que lidamos com o dinheiro. Mesmo sendo numa situação adversa, é possível fazer mudanças que sirvam para aquele momento e também para um novo estilo de vida.

Para prosperar financeiramente é necessário começar seguir uma sequência lógica: organizar suas finanças, reconhecer sua capacidade financeira, ter consciência das possibilidades de gerar riqueza, estudá-las e pôr em prática. Para isso, devemos entender que nunca é tarde para começar o processo de mudanças.

Dicas de livros na biblioteca do TC School:

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Iris Sousa
Iris Maria Oliveira de Sousa
Estagiária do Tradersclub | TC School
Graduanda em Ciências Contábeis pela UFPB e membro do projeto Educação Financeira Para Toda a Vida.

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