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“Dominando o Ciclo de Mercado”, de Howard Marks

16/04/2021 às 11:45

TC School

É dia de resenha no TC School! Hoje vamos falar de um dos livros mais conhecidos publicados por Howard Marks, o “Dominando o Ciclo de Mercado” (tradução de “Mastering the Market Cycle: Getting the Odds on Your Side”).

Para facilitar a leitura, dividimos a resenha desta obra clássica do mundo dos investimentos nos seguintes tópicos:

  • Sobre o Autor, Howard Marks
  • Livro “Dominando o Ciclo de Mercado”
  • A Natureza dos Ciclos
  • O Movimento Pendular dos Ciclos de Mercado
  • Reflexões de Howard Marks
  • Por que os investidores devem ler o livro

Boa leitura!

Howard Marks

Howard Stanley Markets é uma das figuras mais influentes no mundo dos investimentos e mercado financeiro no geral, sempre chamando a atenção dos leitores em seus “Oaktree Memos”, publicados através da sua atual gestora, a Oaktree Capital Management.

Marks ficou conhecido por dominar a arte dos ciclos de mercado devido sua alta rentabilidade em períodos de mais stress de mercado, conhecidos como “black swans”.

Dessa forma, investidores sempre querem ouvir a opinião de Marks a respeito do momento atual de mercado e onde estamos em relação ao que ele chama de “pêndulo” do mercado.

“Dominando o Ciclo de Mercado”

Em sua obra, o “Dominando os Ciclos de Mercado”, Howard Marks expõe aos leitores, suas experiências de vida, seus insights e suas tomadas de decisões durante os ciclos de mercado. Em resumo, ao decorrer do livro, o autor discorre sobre diferentes tipos de ciclos e suas respectivas características, descrevendo o processo cronológico da evolução do ciclo – desde o momento de “recessão” até o topo.

Marks escreveu o livro com o objetivo de despertar a curiosidade e a importância do entendimento dos ciclos de mercado por parte dos investidores. Desse forma, a leitura é de fácil compreensão, sem a utilização de termos técnicos, nem muito “economês”.

Nesse sentido, Howard Marks separa sua obra em 4 partes principais:

  1. A natureza e características dos ciclos;
  2. Os tipos de ciclos;
  3. Uma interpretação de todos os ciclos atuando juntos; e
  4. Reflexões sobre o assunto.

A Natureza dos Ciclos

Primeiramente, devemos entender que os ciclos de mercado não devem ser vistos apenas como cada um seguido pelo próximo, mas como cada um causando o próximo. Ou seja, o ciclo de crédito impacta diretamente o ciclo imobiliário, que por sua vez, impacta diretamente o ciclo de lucros das empresas, e assim por diante. Howard Marks cita as características de alguns dos ciclos, no livro:

  • Ciclo de Crédito

Marks define este como um dos ciclos mais voláteis e capazes de proporcionar os maiores impactos na economia. Segundo ele, esse ciclo é criado a partir da geração do benefício de alavancagem financeira das companhias, elevando seus lucros. São normalmente, bolhas de crédito, como a crise financeira de 2008, a qual “a janela pode passar de aberta a fechada em apenas um instante.”;

  • Ciclo dos Títulos de Empresas Inadimplentes

Esse ciclo é influenciado pelo ciclo de crédito, de uma forma que, em períodos de prosperidade econômica, a emissão de crédito para essas empresas é facilitado.

Por um instante, a baixa inadimplência dessas empresas de nível especulativo chamam a atenção de investidores, os quais se convencem de sua capacidade de honrar a dívida, e que ao mesmo tempo, estão pagando um yield muito superior às companhias de grau de investimento. Dessa forma, o mercado de crédito toma uma postura “complacente” em relação ao risco em financiar essas empresas;

  • Ciclo do Setor Imobiliário

Épocas desfavoráveis arrefecem a atividade do setor de construção civil. Passado um tempo, com um ambiente econômico melhor de disponibilidade de crédito, as pessoas tomam mais empréstimos para financiar suas casas, aquecendo o setor bancário e a emissão de novos empréstimos nessa área, haja visto que os primeiros geraram uma boa rentabilidade ao banco e que não geraram muitos casos de inadimplência. Assim, começa um ciclo imobiliário.

Segundo Howard Marks, os ciclos se repetem, entretanto, sempre há aquele que fala: “dessa vez é diferente”, ou algo do tipo. Isso acontece por causa da incapacidade do investidor enxergar os riscos, frente ao potencial de lucratividade disponível à sua frente. Uma frase bastante conhecida de Mark Twain que Marks gosta de usar é a seguinte, “a história não se repete, mas rima”.

O Movimento Pendular dos Ciclos de Mercado

A seguir, mostramos a melhor referência visual do comportamento de um ciclo, segundo Howard Marks. Para o economista, os ciclos possuem uma tendência de alta constante, ou seja, com o passar do tempo, é normal que a qualidade de vida das pessoas, lucros corporativos, e outras variáveis econômicas melhorem. Porém, na vida real, tal evolução não é constante, muito pelo contrário, é volátil.

Marks definiu os ciclos como se fossem pêndulos, se movendo de extremo a extremo (recessão até o ponto mais alto, de topo). Tal comportamento funciona exatamente como a economia real, se movendo de um período de baixos lucros corporativos, alto desemprego, baixo consumo, etc., até um período de prosperidade, com preços de ações subindo, desemprego na mínima histórica, e lucros corporativos crescentes.

No entanto, o mais interessante do gráfico é observar que apesar de topos e fundos extremos, o pêndulo passa mais tempo neles, do que no ponto intermediário. Ou seja, quando a situação muda, muda rápido e drasticamente – podemos fazer referência ao Ibovespa em março de 2020, com uma queda de mais de 40% em menos de 50 dias.

Comportamento dos Ciclos

Fonte: MARKS, H. “Dominando o Ciclo de Mercado.” p. 122.

Perguntas que Howard faz a si mesmo, para identificar o momento do ciclo de mercado:

  1. “Estamos pertos do começo de uma ascensão, ou nos estágios finais”;
  2. “Se um determinado ciclo cresce há algum tempo, já foi tão longe que agora estamos em terreno perigoso?”
  3. “O que sugere o comportamento dos investidores”;
  4. “Como os investidores se comportam frente ao risco”;
  5. “O mercado está superaquecido ou apático”; e
  6. “Analisar as respostas das perguntas anteriores”.

Apesar de citar os passos de se identificar a etapa do ciclo de mercado, Marks confessa ser uma tarefa difícil até mesmo para os mais experientes, pois as pessoas não se comportam da mesma maneira mesmo quando pretendem. Assim, ele deixa algumas “observações” para os investidores iniciantes: “You can’t predict. You can prepare” (tradução livre: “Você não pode prever. Você pode se preparar.”).

Ciclos são inevitáveis

  1. “A influência dos ciclos é potencializada pela incapacidade dos investidores de lembrar o passado“;
  2. “Os ciclos corrigem-se a si mesmos”; e
  3. “Ciclos são frequentemente vistos como menos simétricos do que são”.

Psicologia do investidor: o ciclo das atitudes em direção ao risco

Dentre as variáveis determinantes dos ciclos de mercado de curto prazo, estão as ligadas à psicologia do investidor. Dentre elas, estão:

  • Ganância e medo;
  • Otimismo e pessimismo;
  • Tolerância e aversão ao risco;
  • Crença e ceticismo;
  • Urgência de comprar e pânico de vender; e
  • Fé no futuro e a insistência na concretude do presente.

Para concluir, não são os dados ou eventos que, de fato, que movem os mercados, mas a interpretação, por parte dos investidores, a respeito dos fatos. Por exemplo:

  • Dados fortes: fortalecimento da economia – ações se recuperam.
  • Dados fracos: é provável que o BC intervenha – as ações se recuperam.

Nesse sentido, para Howard Marks, o momento mais perigoso do ciclo é quando os investidores perdem a noção do risco. Nesse momento, perde-se parâmetros de risco e retorno e que para ele, possui uma evolução cronológica, assim:

  1. Eventos positivos levem o aumento do otimismo;
  2. O aumento do otimismo deixa as pessoas mais tolerantes ao risco;
  3. O aumento na tolerância ao risco ocasiona menores prêmios de risco;
  4. Uma complacência em relação a retornos menores faz com que os investidores aceitem prêmios de risco inferiores;
  5. Uma redução de retorno exigido faz com que os preços subam; e
  6. Preços altos tornam os ativos mais arriscados, além de atrair outros investidores por impulso.

Todo esse “processo” é definido por Howard Marks como o Ciclo das atitudes em direção ao risco.

Reflexões de Howard Marks

Para Howard Marks, os três ingredientes do sucesso são agressividade, agir no momento certo e habilidade.

Portanto, estudar e aprender os ciclos econômicos vão te ajudar a identificar, e consequentemente, se posicionar melhor em diferentes momentos dos ciclos econômicos, através da seleção correta dos ativos, com a determinada agressividade ou defensividade nas horas certas, e habilidade.

Por sua vez, as habilidades são adquiridas através da experiência (“Experiência é o que você ganha quando não obtém o que deseja”).

Por que os investidores devem ler o livro

A obra “Dominando o Ciclo de Mercado” é um livro perfeito para os investidores iniciantes começarem a compreender os ciclos de mercado, e as variáveis que o influenciam. Dessa forma, apesar do investidor não sair sabendo identificar exatamente o momento do ciclo de mercado em que ele se encontra, afinal para isso necessita de conhecimento técnico e bastante prática, é uma introdução excelente ao tema.

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Daniel Santos
Daniel Santos
Estagiário do TradersClub
Graduando em Ciências Contábeis pela UFRN. Ex-membro da Liga de Finanças e vencedor do 1º Campeonato de Análise Fundamentalista do TC.

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