“Freakonomics: o lado oculto e inesperado de tudo que nos afeta” - TC

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“Freakonomics: o lado oculto e inesperado de tudo que nos afeta”

30/07/2021 às 16:00

TC School

O livro “Freakonomics: o lado oculto e inesperado de tudo que nos afeta” de Steven D. Levitt e Stephen J. Dubner figurou na lista de best sellers do The New York Times por dois anos consecutivos. Quando lançado foi simplesmente considerado o Melhor Livro do Ano por veículos como a The Economist e a Amazon.

Por conta do seu imenso sucesso, ganhou uma sequência e um filme documentário de mesmo nome. Bastante coisa para um livro de nicho, não é mesmo? Para facilitar a leitura, dividi a resenha do livro Freakonomics nas seguintes seções:

  • Como eu conheci o livro Freakonomics
  • Quem são os autores – Steven D. Levitt e Stephen J. Dubner
  • O lado oculto de tudo que nos afeta – sobre o que é o livro?
  • Visão geral do livro Freakonomics
  • Análise crítica da obra
  • Considerações finais

Boa leitura!

freakonomics

Freakonomics

Como eu conheci o livro?

O ano era 2018, eu tinha acabado de entrar no curso de Economia e como todo bom calouro, estava muito animado com o tanto de coisa nova que estava aprendendo.

Um dia, andando pela biblioteca, vi uma edição do Freakonomics perdida na estante de livros de Cálculo. Abri rapidamente o sumário e lembro que todos os títulos dos capítulos me atraíram.

Parecia algo bem mais interessante do que os manuais iniciais de economia, que por natureza tinham um conteúdo mais técnico. Como eu levava quase uma hora e meia para ir e para voltar no ônibus, resolvi pegar emprestado para ler durante a “viagem”.

Autores de Freakonomics

Steven D. Levitt e Stephen J. Dubner

Conheça os autores do best seller “Freakonomics” — Steven D. Levitt e Stephen J. Dubner

Steven D. Levitt é professor de Economia na Universidade de Chicago, venceu a medalha John Bates Clark em 2003, um prêmio que reconhece o melhor economista dos Estados Unidos abaixo de 40 anos. Em 2006, foi nomeado pela Time como uma das 100 pessoas que moldam o mundo.

Stephen J. Dubner é um autor premiado, jornalista e personalidade de rádio e TV. Foi co-autor de Freakonomics e escreveu no The New York Times, The New Yorker e na Time.

Os dois se conheceram quando Dubner teve de ir a Chicago escrever um artigo idealizado por Levitt sobre “A probabilidade de um corretor de imóveis estar te roubando”. O artigo fez bastante sucesso, o que levou os dois a iniciarem uma parceria para escrever o livro.

O lado oculto de tudo que nos afeta

Sobre o que é o livro?

O subtítulo do livro adianta bem sobre o que mesmo se trata — O lado oculto de tudo que nos afeta, Freakonomics não é uma obra pautada no senso comum. Ao contrário, o livro busca o tempo inteiro desafiar o que acreditamos que já conhecemos. Com colocações ácidas e, por vezes, politicamente incorretas.

Já no começo, o livro Freakonomics aborda o que aconteceu nos Estados Unidos na década de 1990, onde o índice de criminalidade aumentou de forma abrupta e de repente diminuiu.

Na época surgiram todos os tipos de teorias sobre o motivo disso ter acontecido: Lei de Controle de Armas, melhor atuação da polícia, boom econômico… Findou que todos esses motivos estavam errados.

O real motivo, segundo os autores, foi que na década de 1970 o aborto foi legalizado, dando acessibilidade ao procedimento para mulheres de renda mais baixa. Logo, crianças que nasceriam em situação difícil e sem perspectiva, e que por isso teriam mais probabilidade de virar criminosos no futuro, não estavam mais nascendo. Pesado, não?

Além disso, o livro faz uma apresentação bastante envolvente de alguns conceitos clássicos relacionados a economia como: incentivos, correlação, causalidade, risco e assimetria de informação.

Freakonomics

Visão geral do livro

Freakonomics acaba por ser uma leitura prazerosa e instigante (mais nos primeiros capítulos do que nos últimos), contém cerca de 360 páginas e está dividido em 6 capítulos.

Abaixo apresentarei os capítulos, destacando os pontos chave e as ideias que julguei serem mais interessantes, mas sem adentrar demais na história e nos detalhes, até para esta resenha não acabar virando um resumo.

  1. O que os professores e os lutadores de sumô têm em comum?
  2. Em que a Ku Klux Klan se parece com um grupo de corretores de imóveis
  3. Por que os traficantes continuam morando com as mães
  4. Onde foram parar todos os criminosos?
  5. O que faz um pai ser perfeito?
  6. Pais perfeitos, parte II, ou: uma Roshanda seria tão doce se tivesse outro nome?

Vamos agora analisar os principais pontos críticos da minha leitura, e se vale a pena ou não comprar e ler!

Freakonomics: O Lado Oculto de Tudo

Principais pontos do livro

O que os professores e os lutadores de sumô têm em comum?

O primeiro e mais longo capítulo – O que os professores e os lutadores de sumô têm em comum? – foca na influência dos incentivos sobre o comportamento humano.

Os autores argumentam que as pessoas tomam decisões com base nos incentivos que possuem.

Uma ideia que não é nova, logo no livro mais básico de economia você se depara com algo similar, “As pessoas reagem a incentivos” é por exemplo, o 4º princípio da Economia dito por Mankiw.

A diferença é que aqui, os incentivos são abordados e apresentados de forma bem mais atraente. Afinal, o que um lutador de sumô teria em comum com um professor? A resposta dos autores é que obviamente ambos reagem a incentivos, principalmente quando há a possibilidade de trapacear para se ter um ganho maior do que os outros.

Em que a Ku Klux Klan se parece com um grupo de corretores de imóveis

No segundo capítulo – Em que a Ku Klux Klan se parece com um grupo de corretores de imóveis – os autores exploram outro conceito relevante, a assimetria de informação.

Descrevem como a Ku Klux Klan se enfraqueceu quando seus segredos foram a público e como a mesma fazia uso da sua fama de ser uma instituição violenta para não precisar usar violência de fato.

Segundo os autores, a KKK e os corretores de imóveis tinham uma coisa em comum: Ambos usavam a informação que tinham para obter vantagem sobre os outros.

Por que os traficantes continuam morando com as mães

No terceiro capítulo – Por que os traficantes continuam morando com as mães – os autores analisaram dados financeiros de uma gangue de Chicago, a Black Disciples, constatando que a maior parte dos dealers de drogas ganhavam um pouco menos de um salário mínimo.

Isso porque neste mercado, muitos dealers competiam pela mesma fatia de mercado, ficando a maior parte do lucro apenas com os que estavam no topo da pirâmide.

Segundo dados do próprio livro, 2,2% dos membros da gangue ficavam com mais da metade de todo o lucro da mesma, levando aos autores darem o nome a esse tipo de mercado de trabalho de “Torneio”. Nele, vários agentes competem um contra o outro e temos “rodadas de eliminação”, até chegar no “campeão” ou nesse caso, nos “campeões”.

Onde foram parar todos os criminosos?

No quarto capítulo – Onde foram parar todos os criminosos? – os autores retomam o tema da legalização do aborto.

Discutindo inicialmente as várias teorias que não conseguiram explicar o que tinha causado a queda repentina na taxa de criminalidade na década de 1990. Mostrando posteriormente, com a pesquisa de Levitt, que os direitos de aborto adquiridos pelas mulheres em condição de ter filhos com potencial de serem criminosos estavam “prevenindo” criminosos de nascerem.

Talvez por medo de ser cancelado na época, Levitt rapidamente esclareceu que propor a legalização do aborto com o objetivo de prevenir crimes futuros tinha implicações morais muito sérias.

E afirmou que o objetivo dele era apenas mostrar através de dados como a implementação de uma nova política pública poderia ter efeitos surpreendentes.

O que faz um pai ser perfeito?

No quinto capítulo, os autores exploram a influência dos pais nos seus filhos, tentando entender o que é mais importante para o desenvolvimento das crianças.

Mais uma vez mostram estudos que contrariam o senso comum, afirmando que ações específicas dos pais – ler antes de dormir, colocar em uma boa escola, levar em museus – tem pouca influência no desenvolvimento escolar da mesma, concluindo que as condições dos pais – nível de educação, nível de renda, idade – tem muito mais relevância no desenvolvimento saudável da criança.

Levitt averiguou que as notas das crianças estavam fortemente correlacionadas com alguns fatores de sua vida familiar:

  1. A criança tem familiares com nível de educação elevado (correlação positiva)
  2. Os pais da criança possuem um status socioeconômico elevado (correlação positiva)
  3. A criança tem vários livros em casa (correlação positiva)
  4. A criança é adotada (correlação negativa)
  5. A criança nasceu com um peso abaixo do normal (correlação negativa)
  6. A mãe da criança tinha trinta anos ou mais quando teve seu primeiro filho (correlação positiva)

Pais perfeitos, parte II, ou: uma Roshanda seria tão doce se tivesse outro nome?

O sexto capítulo aborda a questão do nome das crianças. Os autores afirmam que os pais, influenciados por livros e consultores, tentam impactar qualquer decisão futura dos filhos, começando pelo nome que dão às crianças.

A maior parte dos pais acredita que o filho não será bem sucedido se não possuir um nome adequado.

Os autores novamente contrariam o senso comum apresentando uma anedota: O caso de Robert Lane, um homem nascido em 1958 que teve dois filhos, Loser e Winner Lane.

Curiosamente com o passar dos anos, Winner acabou se tornando um criminoso e foi preso, perdendo grande parte da vida na cadeia. Loser surpreendentemente teve sucesso, se tornando detetive profissional.

Com o passar do capítulo, os autores seguem tentando responder se o nome da criança influencia seu sucesso no futuro.

Para responder, sugerem que nos Estados Unidos, pais dão nome aos filhos por conta da linhagem social e racial. Apesar de brancos e asiáticos darem nomes parecidos aos seus filhos, ocorre algo um tanto diferente na cultura negra.

Pais que vivem em comunidades negras tem maior probabilidade de dar ao seus filhos nomes tradicionais negros, como forma de se solidarizar com a comunidade.

Como consequência disso, surgiram estudos que atestavam que candidatos a vagas de emprego com “nome de branco” tinham mais probabilidade de conseguir uma vaga do que um candidato com “nome de negro”.

Os autores rejeitaram a hipótese de que nomes que pareciam ser da comunidade negra tinham uma espécie de penalização econômica, afirmando que, independente do nome, se os indivíduos tivessem nascido no mesmo local, sido expostos ao mesmo nível econômico teriam resultados similares na vida.

Concluindo, então, que a desvantagem dos negros não estava em seus nomes, mas no fato de que eles tinham maior probabilidade de nascer em famílias de baixa renda.

Considerações finais

  • Pontos Positivos

O livro apresenta conceitos clássicos da ciência econômica para o público geral, através de títulos chamativos e ideias fora da caixa, envolvendo o leitor e o estimulando a pesquisar mais sobre o tema.

  • Pontos negativos

O que faz o livro bom faz o livro ruim. Numa primeira leitura, o livro encanta.

Numa segunda, dá a impressão que toda estrutura foi montada para envolver o leitor, me levando a questionar a consistência dos estudos apresentados. Além disso, achei que os primeiros capítulos são muito mais interessantes do que os últimos, dando a sensação que a leitura piora com o passar das páginas.

Vale a pena ler Freakonomics?

Lembro que o livro me impactou bastante na primeira vez que o li, mas como estava lendo o livro do Mankiw ao mesmo tempo, vários conceitos se entrelaçaram e coisas que eu não entendia muito bem começaram a fazer sentido.

Com isso, creio que Freakonomics é sim um bom livro para quem tem interesse em aprender sobre economia e vale a pena ser lido.

Freaknomics – O Filme

Vale lembrar que Freakonomics também possui um filme documentário lançado em 2010. Assista o trailer abaixo:

Por fim, o livro ainda rendeu uma sequência, o também best sellerSuperfreakonomics: O lado oculto do dia a dia”.

E você, o que achou do livro?

Lucca Carlini
Lucca Carlini
Estudante de Economia na UFPE

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