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“Mentes brilhantes, rombos bilionários”, de Scott Patterson

26/02/2021 às 11:40

TC School

No texto de hoje, apresentamos a resenha do livro “Mentes Brilhantes, Rombos Bilionários“, escrito pelo repórter do The Wall Street Journal, Scott Patterson. A edição que lemos possui 418 páginas e a editora é a Best Business. Para facilitar a leitura, elencamos a resenha nos seguintes tópicos:

  • Os 4 ases quants
  • O que esperar do livro
  • A culpa da crise é dos quants?

Boa leitura!

Mentes Brilhantes, Rombos Bilionários

Os 4 ases quants

Para começar, o livro “Mentes Brilhantes, Rombos Bilionários“, gira em torno da vida de 4 personagens de Wall Street: Peter Muller, Ken Griffin, Cliff Asness e Boaz Weistein, 4 gestores de fundos dos EUA que empregavam sofisticadas estratégias quantitativas nas suas operações. A seguir, falaremos sucintamente de cada uma das personagens da obra.

  • Peter Muller: gestor do PDT (Process Driven Trading), fundo de hedge do Morgan Stanley, fundado em 1993.

Peter era o fundador e o CEO do fundo. Além da carreira como gestor, o livro nos conta que ele também era pianista e ávido admirador de música, tendo, inclusive, gravado alguns álbuns e se apresentado em grandes festivais como o Montreux Jazz Festival, na Suíça.

E claro, Peter é um gênio da matemática. Aos 10 anos, viajando pela Europa com a família, ele percebeu que as taxas de juros do dólar variavam nos diferentes países pelos quais a família passava. Aliás, uma curiosidade sobre o executivo é que seus pais eram ambos imigrantes nos Estados Unidos; o pai austríaco era engenheiro e sua mãe, nascida no Brasil, era médica psiquiatra.

Certa vez, em uma viagem pela Europa, perguntou ao pai se poderia comprar marcos alemães em Londres e ter lucro trocando-os por dólares na Alemanha. Rapaz, o cara fazia arbitragem com moeda com 10 anos. Incrível! Para ser bem sincero, eu nessa idade o máximo que eu fazia era comer terra (risos).

  • Ken Griffin: administrador do Citadel Investment Group. Desde muito jovem descobriu sua inclinação para finanças quantitativas.

Captou, por acaso, 50 mil dólares e logo multiplicou o capital com sua estratégia de investimento em warrants subprecificadas com hedge na posição com venda a descoberto de ações. Seus gostos pessoais são um tanto, digamos, peculiares, como adquirir obras de arte milionárias, bem como ter casado no Palácio de Versalhes, na França.

  • Cliff Asness: fundador do AQR Capital, que chegou a administrar 40 bilhões de dólares no pré-2007.

Asness estudou finanças com nada menos que Eugene Fama, na Universidade de Chicago. Começou sua carreira no mercado financeiro trabalhando na construção de modelos quantitativos e outros trabalhos similares até fundar o AQR.

  • Boaz Weistein: trader de derivativos do Deutsche Bank que tornou o fundo Saba (vovô sábio, em hebraico) em uma das operações mais poderosas de crédito do mundo.

Sua inclinação para finanças quantitativas já apareceu ainda no High School (o nosso ensino médio), em que ele ganhou um concurso de stock picking desbancando outros 5 mil candidatos. Após sair do Deutsche Bank, fundou o seu próprio fundo, denominado, obviamente, Saba.

O que todos eles têm em comum além do gosto pelas finanças quantitativas? Que todos perderam bilhões de dólares na crise de 2007.

Os mestres

Além dos 4 ases acima, o livro “Mentes Brilhantes, Rombos Bilionários”, fala muito sobre Ed Thorp, que de certa maneira influenciou todos os 4 acima citados, e de Jim Simons, que dispensa apresentações.

O que esperar do livro?

Finanças quantitativas

Um aspecto do livro que particularmente gostamos é a história das finanças quantitativas. O autor faz um resumo incrível sobre o assunto, e trata desde o nascimento das finanças quantitativas, apresentando seus principais nomes e qual sua importância no mundo quantitativo, como as estratégias quantitativas foram sendo criadas e implementadas (você vai se surpreender ao saber o quão correlacionadas são as finanças quantitativas e os jogos de azar) e como elas se popularizaram na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE). Certamente esse recorte histórico é um dos destaques positivos da obra de Scott Patterson.

Além disso, o livro trata, com muitos detalhes, de diversas estratégias quantitativas dos 4 ases acima citados, bem como de diversos produtos financeiros, e como as finanças quantitativas foram tornando cada vez mais complexas (e perigosas) essas aplicações. Ou seja, “Mentes Brilhantes, Rombos Bilionários” conta as estratégias para explorar as assimetrias do mercado e ganhar dinheiro com isso (ué, mas o mercado não era eficiente!? risos).

Lendo o livro, conhecendo um pouco do funcionamento do mercado de capitais e da complexidade que é a operacionalização de estratégias quantitativas na Bolsa de Valores, espanta como ainda esses vendedores de cursos de day trade que prometem lucros milagrosos ainda consigam faturar com a venda de cursos. Não há dinheiro fácil meus amigos, e o livro nos apresenta isso de uma forma assustadoramente real.

Também há um recorte muito interessante acerca da quebra do LTCM, dando muitos detalhes de como o fundo operava, qual o papel do trade quantitativo nas suas operações, e como ocorreu a quebra. É fantástico!

Crise Sub-Prime

E claro, há uma extensa discussão sobre a crise do sub-prime, dos produtos financeiros que armaram a bomba e de como as finanças quantitativas ligaram o timer para o relógio do fim do mundo que deu as 12 badaladas em 2007. É uma análise muito extensa e detalhada da crise, que por si só vale a leitura da obra “Mentes Brilhantes, Rombos Bilionários”.

A culpa da crise é dos quants?

Na leitura, notamos que o autor sugere que uma boa parcela de responsabilidade pela crise de 2007 é culpa das finanças quantitativas, e não duvidamos que de fato exista certa responsabilidade, até porque a combinação de modelos quantitativos que acham que modelaram a realidade + alavancagem estratosférica é a receita para o fim do mundo.

Entretanto, pensamos que seja um pouco injusta a carga de responsabilidade que o autor joga nas costas das finanças quantitativas. Acreditamos que existem muitos outros pontos que explicam a crise, e que a maior parte da culpa não pode ser jogada nos fundos quantitativos como o autor faz em “Mentes Brilhantes, Rombos Bilionários”. Essa é a nossa única crítica quanto ao conteúdo.

Quanto à escrita, consideramos um pouco arrastada, além disso o formato do livro não ajuda muito. A organização dos capítulos é um pouco confusa, não é tão simples, nem tão fluída, mas nada que atrapalhe a leitura. Só não é primoroso.

Bom moçada, vamos terminando por aqui para não dar mais spoiler. O restante cada um precisará descobrir lendo o livro “Mentes Brilhantes, Rombos Bilionários”. Em geral, demos nota 8 para a obra de Scott Patterson, e recomendamos fortemente a leitura para quem gosta de finanças e para quem deseja conhecer a fundo a visão do autor sobre a crise do sub-prime. Portanto, a dica é leiam, vocês não irão se arrepender! Um abraço e até a próxima.

André Sekunda
André Sekunda
Professor Universitário com Mestrado em Contabilidade
Contribui com textos educativos para o TC School.

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