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Mais Esperto que o Diabo – Resenha Crítica do Livro

23/04/2021 às 13:45

TC School

Mais Esperto que o Diabo de Napoleon Hill

A resenha mais crítica que você lerá deste livro

O livro “Mais Esperto que o Diabo: o mistério revelado da liberdade e do sucesso”, de Napoleon Hill, é um dos grandes best sellers do Brasil, estando hoje em 4º lugar do ranking da Amazon de livros mais vendidos. Foram mais de 100 milhões de cópias vendidas no mundo inteiro, segundo a capa do próprio livro. Isso é muita coisa e este livro deve ter algo de fato muito interessante, não é verdade?

Para escrever esta resenha crítica eu busquei me despir de qualquer preconceito que eu possa eventualmente ter em relação a livros com esta pegada mais de autoajuda, buscando avaliar da forma mais técnica possível.

Como estou buscando fazer a resenha mais crítica que já foi publicada sobre o livro Mais Esperto que o Diabo, sei que serei bastante criticado pela minha visão. Este é o primeiro livro que conheço que tem torcida organizada. Porém, eu não me importo com isso, podem me criticar à vontade. Talvez eu até possa mudar um pouco a minha opinião sobre o livro, lendo outros pontos de vista. Me enviem feedbacks a vontade. Todos nós ganharemos com isso!

Eu gostei da leitura no começo do livro e em certo ponto comecei a especular sobre o seu final. A ideia parecia genial e imperdível. Eu não conseguia parar de ler. Mas só vou comentar sobre isso mais à frente, e já adianto que contém spoilers. Penso que é impossível contar qual foi a minha visão sobre o livro sem dar spoilers.

Esta resenha está dividida nas seguintes seções:

  1. Como eu decidi ler Mais Esperto que o Diabo e quem foi Napoleon Hill
  2. Análise crítica do livro
  3. Por que Mais Esperto que o Diabo é um livro perigoso?
  4. Conclusão

Vamos lá!

COMO EU DECIDI LER MAIS ESPERTO QUE O DIABO E QUEM FOI NAPOLEON HILL

Conheça o autor de bestsellers Napoleon Hill

Napoleon Hill é um autor de livros com muito sucesso. Nascido na Carolina do Sul (1883), o autor do best seller Mais Esperto que o Diabo, Quem Pensa Enriquece e outros livros, morreu em 1970, aos 87 anos.

Hill foi um dos disseminadores da ideia de Master Mind, que é amplamente divulgada e utilizada pelos coaches (bons e ruins, infelizmente) ainda nos dias de hoje – no capítulo 3 o autor fala sobre isso. Adicionalmente, ele publicou quase 20 livros, sendo que 3 foram publicações póstumas, inclusive o Mais Esperto que o Diabo, segundo a Wikipedia.

Como eu conheci o livro Mais Esperto que o Diabo

Alguns anos atrás, eu ganhei um livro de autoria de Napoleon Hill – foi um presente da minha cunhada. O livro era “Quem Pensa Enriquece”, ou “Pense e Enriqueça” (que fala da ideia de Master Mind) e foi aí que eu ouvi falar no autor pela primeira vez.

Eu deixei este livro na minha cabeceira por muitos anos, até que concluí que eu não o leria nem tão cedo e o coloquei na minha pilha normal junto com os outros que eu tinha que ler.

Minha decisão de não ler Quem Pensa Enriquece passou pelo mesmo processo que me fez não ler Mais Esperto que o Diabo por muito tempo:

  • Não curto livros de autoajuda; e
  • O título e o resumo do livro me passavam a ideia de que era algo relacionado ao “charlatanismo” – ainda que não seja, mas foi a interpretação que fiquei, principalmente pelo boom de coaches à época.

Contudo, quando vim trabalhar no TC, em setembro de 2019, eu ganhei um Kindle de presente dos meus alunos da UFPB e logo depois eu vi que Thiago Nigro (O Primo Rico) estava recomendando este livro e que ele estava de graça com o Kindle. Sendo assim, eu pensei: bom, muita gente boa que eu conheço fala bem deste livro. E agora ele está gratuito no Kindle. Vou ler!

Foi assim, pela aleatoriedade da vida, que eu decidi ler este livro que gera uma grande mistura de sentimentos e que tem até torcida organizada. Sobre como a aleatoriedade determina as nossas vidas, recomendo a leitura da resenha do livro Desafio aos Deuses, disponível na seção de livros do TC School.

Vamos conhecer agora a minha visão mais crítica sobre Mais Esperto que o Diabo?

 

ANÁLISE CRÍTICA DO LIVRO MAIS ESPERTO QUE O DIABO

Visão geral do livro de Napoleon Hill

Mais Esperto que o Diabo é um livro de leitura simples e rápida, apesar de ser mais extenso do que deveria e de a linguagem às vezes parecer um pouco arcaica (livro escrito em 1938).

O livro é dividido em 12 capítulos. Vou apenas apresentar os capítulos abaixo, mas não comentarei capítulo a capítulo. Meus comentários serão mais gerais, pois inicialmente li o livro sem pensar em escrever uma resenha dele:

  1. Meu primeiro encontro com Andrew Carnegie
  2. Um novo mundo se revela para mim
  3. Uma estranha entrevista com o diabo
  4. Alienando-se com o diabo
  5. A Confissão continua
  6. Ritmo hipnótico
  7. Sementes do medo
  8. Propósito definido
  9. Educação e religião
  10. Autodisciplina
  11. Aprendendo com a adversidade
  12. Ambiente, tempo, harmonia e precaução

Vamos agora analisar os principais pontos críticos da minha leitura, por que eu acho este livro perigoso e se vale a pena ou não comprar e ler Mais Esperto que o Diabo.

Principais pontos da análise crítica do best seller mais atual de Napoleon Hill

Mais Esperto que o Diabo é um livro que eu classifico como de autoajuda. Ele tem uma pegada motivacional muito forte, e foi escrito muito antes de termos esse boom de coaches motivacionais. O cara foi muito bom em antecipar todo este movimento que vemos hoje, só que em forma de livro.

Muita gente deixa de fazer coisas que poderiam mudar as suas vidas por terem medo de errar ou de começar. Eu mesmo já fiz isso e me arrependo. Napoleon Hill tenta mostrar que este medo é uma ferramenta do Diabo e que está apenas na sua cabeça.

Eu tenho as minhas críticas a esta abordagem, mas não posso deixar de reconhecer esse lado bom do livro. Muitos anos após ele ter sido escrito, ainda continuamos falando sobre o livro e isso mostra a relevância do trabalho do autor.

 

“Eu recebo ‘ordens’ estranhas de uma fonte estranha”

Hill fala muito sobre um “outro eu” durante o livro. É como se o personagem do livro fosse esquizofrênico, no estilo John Nash, em Uma Mente Brilhante. O “outro eu” era uma espécie de voz em sua cabeça que fazia com que ele tomasse algumas atitudes em sua vida. Na próxima seção eu usarei o “outro eu” de Napoleon Hill para explicar o porquê de achar que este é um livro perigoso.

Inclusive, é o “outro eu” quem estimula Hill a buscar o empréstimo de US$ 25 mil para a publicação do seu livro, conforme a seguinte passagem: (…) “Comece de uma vez a imaginar e focar no nome de todas as pessoas do seu círculo de conhecidos que poderiam de alguma maneira ser induzidos a fornecer a ajuda financeira de que você está precisando”.

Logo no início do capítulo 2 de Mais Esperto que o Diabo, Napoleon Hill já dá indícios de que a sua cabeça, no personagem do livro, não está nada bem e que ele tem “fé” de que conseguirá o financiamento para publicar o trabalho de sua vida. Ele até diz que já conseguia enxergar o dinheiro em sua posse, apesar de “o outro eu” não ter dado o caminho das pedras. Mas mesmo assim, ele segue a sua voz interna até conseguir o que precisa, conforme a história do livro.

 

“Meu ‘outro eu’ se sai bem”

Nesta seção, Hill fala sobre como teve a ideia de voltar a conversar com Albert L. Pelton e como ele poderia “persuadir o Sr. Pelton a publicar” os seus livros. Sendo assim, a reunião foi marcada, Pelton aceitou publicar os livros. Meses depois, Hill já estava com renda suficiente para pagar o seu custo de vida.

Mas é aí que o “outro eu” reaparece, quando Hill vê o primeiro cheque dos royalties das vendas dos livros: “sua única limitação é aquela que você impõe em sua própria mente”. Isso é uma verdade, mas em partes. Mais adiante, falarei sobre o perigo do livro e retornarei a este assunto.

Depois disso, ele e o “outro eu” tiveram a ideia de dar treinamento de vendas de carros e que isso poderia custear sua vida pelos próximos 3 meses: “O dinheiro que eu precisava estava em minhas mãos justamente no momento em que eu precisei” – uma das frases de Napoleon Hill no livro.

Com dinheiro em mãos, Hill se convenceu de que aquela viagem arriscada, vamos dizer assim, à Filadélfia, não era uma loucura tão grande assim, conforme a razão dele achava. O autor ainda inicia o parágrafo seguinte informando que “daquele momento em diante até este exato minuto, tudo o que eu precisei veio até mim”, mesmo na época da Crise de 1929.

É interessante como tudo acontece num timing muito bom para o personagem de Napoleon Hill em Mais Esperto que o Diabo. Infelizmente, na vida real isso nem sempre acontece – este é um dos perigos de se seguir cegamente os ensinamentos do livro.

 

“A fé tem um novo significado para mim”

Neste momento do Mais Esperto que o Diabo, Hill ainda não sabe quem é o “outro eu”, mas confia nele como se fosse uma espécie de espírito santo.

Mesmo com esta “loucura” de ouvir um “outro eu” que só está na cabeça dele, há uma importante passagem sobre a Crise de 1929. Inclusive, é possível pegar esta passagem e extrapolar para os tempos atuais que vivemos, especialmente pós-crise.

O autor diz que o crash da Bolsa de Nova York, durante a crise de 1929, trouxe diversos problemas para milhões de pessoas, entretanto, mesmo numa situação grave como aquela, foi possível tirar uma boa lição, expressa na seguinte frase de Napoleon Hill “(…) há algo infinitamente pior do que ser forçado a trabalhar, que é ser forçado a não trabalhar”.

Como diriam também os Racionais MC’s: tenha fé porque até no lixão nasce flor. Espero que as pessoas que leram o livro tenham absorvido muito bem essa mensagem. As coisas provavelmente vão melhorar, se nos esforçarmos para isso e não ficarmos esperando apenas por um “outro você” para resolver os seus problemas.

Antes de finalizar a seção, Hill reforça a mensagem, o que eu achei muito bom – considerando que eu não estava gostando de boa parte das mensagens anteriores, por achá-las perigosas: “(…) Aprendi que todos aqueles que se deparam com dificuldades que parecem insolúveis, podem resolvê-las se ainda melhor lidar com elas, se estiverem dispostos a esquecer suas próprias dificuldades e partir para ajudar outras que porventura estejam passando por dificuldades maiores”.

Todavia, é sempre importante destacar que não é apenas isso, pois existem fatores aleatórios que nos atrapalham em alguns planos e nós temos que traçar um novo plano até atingir o objetivo.

O “outro eu” modifica até a forma de orar de Napoleon Hill

O personagem de Hill, em Mais Esperto que o Diabo, fala até sobre como a sua forma de orar foi modificada desde que conheceu o seu “outro eu”.

Lendo esta parte do livro, eu me questiono: o que será esse “outro eu”? Será simplesmente um processo de meditação ou mindfulness meditation? Ou seria alguma outra coisa como esquizofrenia? Ou até mesmo um espírito santo, como levantei anteriormente?

Neste processo de autoconhecimento, vamos chamar assim, o personagem de Napoleon Hill diz que “contava com uma mente razoavelmente equilibrada” e que tinha uma imaginação criativa que poderia “prestar um serviço muito útil para um grande número de pessoas”.

Eu, particularmente, discordo um pouco desta questão de mente equilibrada. Hill não conseguia focar em uma atividade e tomou decisões um tanto quanto desesperadas e sem planejamento suficiente que poderiam ter dado muito errado.

O maior problema da alavancagem que ele tomou foi a aparente falta de planejamento no seu processo decisório. Ele poderia ter planejado melhor a viagem, por exemplo, para não correr o risco de quebrar e perder o trabalho de uma vida inteira.

É nesta seção do livro de Napoleon Hill que o autor nos conta mais detalhes sobre o “outro eu” e sobre o conceito de “inteligência infinita”. Infelizmente, parece que as pirâmides financeiras e coaches ruins adotaram este conceito para enganar as pessoas também.

Aqui vale uma ênfase importante em respeito à memória do autor: não quer dizer que ele tenha tido esta intenção, mas as pessoas usaram um conceito bom para uma coisa ruim, aparentemente.

 

“Entrevista com o diabo”

Você sentiu o clima esquentar agora?

Neste momento começa a aparecer um novo personagem: o Diabo! Hill destaca em seu livro que o Diabo sempre esteve desesperado para tentar o calar antes que ele pudesse alcançar as pessoas e ajudá-las a ter sucesso na vida.

Ou seja, toda a conversa anterior foi uma introdução para começar a entrar no ponto central do livro. Mas, mais uma vez, a Crise de 1929, que podemos relacionar com a Crise atual que vivemos – as duas terminam com 9, em mais uma outra coincidência aleatória em nossas vidas – aparece no livro com uma mensagem importante para todos.

O autor diz que a Crise de 1929 veio como sendo uma oportunidade de testar a sua “filosofia da autodeterminação”. Aliado a isso, notou que havia a oportunidade de testar uma de suas máximas. Sim, uma das frases de Napoleon Hill, diz que “toda adversidade traz consigo a semente de uma vantagem equivalente”.

A confiança, dada pela autodeterminação, é muito importante para tudo em nossas vidas. Mas nem é suficiente, sozinha, e nem podemos exagerar com o seu uso. Com esta frase de autoria de Hill, por exemplo, temos, talvez, excesso de confiança.

Quem conhece o básico da contabilidade, deve conhecer a natureza das contas contábeis e também o Método das Partidas Dobradas que, de forma resumida, diz: para todo o conjunto de débitos, haverá um conjunto de créditos de igual valor. Napoleon Hill traduziu, para o público comum, o conceito por trás do Método das Partidas Dobradas. O que é uma coisa bem legal, diga-se de passagem.

 

A sessão de perguntas e respostas entre Napoleon Hill e o Diabo

Eu achei esta parte do livro (neste caso seria seção com “ç” mesmo) ruim. Muito repetitiva. Poderia ter sido muito menor para passar a mesma mensagem. Mas vamos comentar sobre alguns pontos da entrevista com o Diabo feita pelo autor de Mais Esperto que o Diabo.

Em uma das perguntas, Hill questiona o capiroto sobre quais seriam os seus truques mais inteligentes. O Diabo fala do medo e que esta é uma ferramenta muito efetiva para controlar as pessoas. De fato é. Muita gente fica completamente congelada quando está com medo. Nós precisamos controlar os nossos medos para termos algum sucesso na vida. Mas o controle do medo, em minha opinião, passa por tratamento profissional e não necessariamente da forma como é retratada no livro.

O Diabo complementa a pergunta informando quais são os 6 medos mais efetivos, mas antes de listá-los, vou te fazer uma pergunta: por que você é um investidor? Por que você simplesmente não torra todo o seu dinheiro?

Agora vamos conhecer os 6 medos mais efetivos, de acordo com o Diabo:

  1. Pobreza
  2. Crítica
  3. Perda de saúde
  4. Perda do amor
  5. Velhice
  6. Morte

Medo, investimentos e gratidão

Não sei vocês, mas o que mais me motiva a investir é o medo da pobreza. Eu invisto, desde sempre, porque eu tenho medo de um dia alguém da minha família precisar de dinheiro para algo urgente e eles não terem. É isso o que mais me motiva a investir desde quando eu comecei a investir.

Outra pergunta que eu gostaria de destacar aqui nesta resenha crítica de Mais Esperto que o Diabo é: como o Diabo ganhou controle sobre os seres humanos? O Diabo conta a historinha de como ele tinha controle total da humanidade, até que as pessoas começaram a aprender a pensar de forma positiva.

O diabo vive em uma luta contínua para não perder o controle da humanidade, sendo que apenas 2% das pessoas têm pensamentos positivos e isso não pode aumentar. Ou seja, #Gratidão e #PensamentoPositivo para não se deixar controlar pelo Diabo.

Um Diabo egocêntrico

A partir do momento do pensamento positivo, eu comecei a pensar mais fortemente que o personagem de Napoleon Hill pudesse ser o próprio Diabo.

Isso me deu mais motivação para ler o livro, esperando um final surpreendente. E aí uma outra pergunta me chamou a atenção e me fez pensar ainda mais nesta hipótese e me dar mais motivação para continuar: quais eram os maiores inimigos do Diabo na Terra?

O Diabo responde: “Todos aqueles que inspiram pessoas a pensar e agir de acordo com as suas próprias iniciativas são meus inimigos. Homens tais como Sócrates, Confúcio, Voltaire, Emerson, Thomas Paine e Abraham Lincoln. E você também não está me fazendo nenhum bem”.

Bom… o Diabo tem o ego inflado, confere? Pelo menos aprendi assim. Se a pessoa teve coragem de escrever isso, se comparando com todas essas pessoas, então a minha hipótese de que ele se declarará como sendo o próprio Diabo neste livro está em vias de ser confirmada – era isso que eu imaginava.

Este seria um final incrível, passando uma lição de ter o ego menos inflado, de se planejar bem, de não enganar pessoas e não contar muito com a sorte. Será que é este o final do livro?

Veremos!

 

“Alienando-se com o Diabo”

A sessão de perguntas e respostas entre o personagem de Napoleon Hill e o Diabo continua. Desta vez, Hill pergunta qual é sobre um truque que o Diabo usa para alienar as pessoas. Neste caso, o Diabo diz que conta com a ajuda dos “pais, professores e instrutores religiosos”. Polêmico né?

Até concordo em certo ponto com isso. Alguns dos citados, de fato, parecem ter sido instruídos pelo capiroto. Sem contar com os políticos.

No final da resposta, o Diabo ainda diz que o personagem de Hill não deve divulgar este truque com ninguém, a menos que queira ser odiado por todos. O Diabo diz que apenas gostarão do livro aqueles que sabem pensar: “e você sabe como são poucos desse tipo”.

Aqui eu vejo um gatilho muito usado no marketing digital para fazer com que os leitores, com a cabeça mais fraca (talvez eu tenha sido um desses), queiram ler o livro todo e o recomendem para outras pessoas. Pode ter sido também uma defesa pessoal para o caso de o livro não vender muito. Esse Napoleon Hill era mesmo genial!

Como identificar um alienado?

Em um outro ponto, Hill pergunta ao Diabo como identificar um alienado. Até tem umas características legais, mas uma delas em especial me chamou a atenção. Segundo o Diabo, o alienado “criticará outros que estiverem sendo bem-sucedidos em suas carreiras”.

Discordo veementemente. Todos podem e devem criticar as coisas – inclusive eu gostaria de receber várias críticas sobre esta resenha. É assim que crescemos profissionalmente. Apanhamos e levantamos para nos tornarmos cada vez melhores. Mas talvez eu seja um alienado por estar criticando este livro. Será que é mais um gatilho de marketing digital neste livro?

Após isso, eles continuam a conversa e o personagem de Napoleon Hill pergunta pela descrição de um “não alienado”. Qual é o primeiro sinal para identificar um não alienado que o Diabo dá em Mais Esperto que o Diabo? Adivinha? Hã, hã, hã? Vou deixar isso para a parte em que eu falo dos perigos deste livro para as pessoas. Aprendi um pouco disso lendo Napoleon Hill, rapaz!

Para finalizar esta parte da minha resenha do livro Mais Esperto que o Diabo, e já nos encaminharmos para o final, Napoleon Hill questiona o Diabo se os “não alienados” possuem alguma vantagem mental, física ou espiritual quando comparados com os alienados. A resposta do Diabo é que não, apenas que o não alienado consegue usar a sua própria mente e pensa sozinho.

Eu sou um cara que gosta de analisar dados. Essas questões de habilidades e coisas relacionadas a sucesso nos esportes, estudos, profissão etc., não são a minha área de estudos. Mas eu sugiro que vocês leiam o livro “Outliers” e tirem as suas próprias conclusões sobre esta questão. O preço do livro custa menos do que R$ 30,00 atualmente.

 

“Ambiente, tempo, harmonia e precaução”

Chegamos a última parte da resenha. Aê!

Eu pulei comentários específicos sobre vários capítulos, porque passou a ser cada vez mais uma leitura repetitiva e sem pontos mais interessantes a destacar.

O último ponto específico que eu gostaria de destacar é que o personagem de Napoleon Hill questiona o Diabo: a cautela está faltando para todas as pessoas?

O Diabo diz que não, que só está faltando cautela aos alienados. O não alienado é cauteloso e pensa cuidadosamente em todos os detalhes e passos dos seus projetos antes de colocar em prática.

Foi aí que eu tive certeza de que o livro acabaria mostrando que, no final das contas, o personagem de Napoleon Hill, em Mais Esperto que o Diabo, ou era o próprio Diabo ou ele se daria conta de que era um alienado.

Teria sido um final fantástico, na minha visão, com Napoleon Hill reconhecendo isto e mostrando às pessoas sobre como elas não podem ser alienadas e nem cair na lábia do Diabo. Infelizmente, não foi isso que aconteceu e por isso eu acho o livro um tanto quanto perigoso.

Vamos entender agora o porquê de eu achar um livro perigoso?

Mas calma, não acho que o livro seja perigoso para todo mundo e acredito que todos podem tirar boas lições da obra, assim como eu tirei.

 

POR QUE MAIS ESPERTO QUE O DIABO É UM LIVRO PERIGOSO?

Terminada toda esta discussão, você pode estar se perguntando: mas por que este é um livro perigoso? Para quem o livro é perigoso?

Achei legal uma coisa que um seguidor meu comentou sobre o livro, quando eu disse que não gostei e que escreveria esta resenha: até a bíblia se usada incorretamente é perigosa. De fato, ele está correto. Minha função aqui é mostrar o perigo que eu vi no livro e para quem ele é perigoso. Nesta seção eu busco efetivamente fazer isso.

Adicionalmente, sempre que falo nas redes sociais que o livro é perigoso, também vejo as pessoas argumentarem que quem lê o livro precisa filtrar e interpretar o que foi dito. Na prática a teoria é outra. Vejamos abaixo os pontos deste meu argumento.

Mais Esperto que o Diabo e pessoas com problemas psicológicos/psiquiátricos

Eu achei o livro muito parecido com as ideias dos coaches que são enganadores. Não que o livro seja enganador, mas algumas ideias do livro são utilizadas para enganar as pessoas. Por exemplo, dando a entender que querer é poder. Em muitos casos não é bem assim, porque algumas pessoas precisam de ajuda de profissionais da área de saúde e não de um coach ou de um livro de autoajuda.

Napoleon Hill comenta bastante no começo do livro sobre ter fé. Mas de nada adianta você ter fé, acreditar no seu “outro eu” e não planejar, estudar e trabalhar de forma inteligente para atingir os seus objetivos.

Em uma passagem do livro, sobre o hotel, o “outro eu” diz para o personagem de Napoleon Hill para ele limpar a mente de todas as limitações e reservar o hotel como se ele tivesse todo o dinheiro do mundo disponível.

Imagina uma pessoa que tem fé, acredita muito no seu “outro eu” e faz algo parecido como pegar dinheiro emprestado com um cunhado para investir em um projeto e acaba gastando tudo e mais um pouco em um hotel? Essa pessoa quebra na vida real e fica devendo. Se a pessoa sofre com depressão, o que pode acontecer?

Isso é uma questão interessante para as pessoas com a autoestima mais baixa pensarem melhor sobre se as suas limitações não estão apenas na sua cabeça. Todavia, é perigoso colocar assim desta forma, porque não existiu, no caso citado no livro, nenhuma gestão de risco e aparentemente nenhum planejamento. Nem sempre a sorte estará ao nosso lado e Hill pareceu contar muito com a sorte no livro.

 

Mais Esperto que o Diabo e traders do mercado financeiro

Sua única limitação é aquela que você impõe à sua mente. Por pensamentos como este que temos um monte de traders no mercado financeiro que jogam dados, no lugar de pensar analiticamente e estrategicamente.

E à medida que mais traders jogadores de dados leem esse livro, mais perdedores de dinheiro eles serão, provavelmente. Porque, teoricamente, eles já são bons o suficiente e é apenas uma limitação comportamental que os está impedindo de ganhar dinheiro.

Outro grupo de pessoas que pode se prejudicar ao ler o livro Mais Esperto que o Diabo são os traders inexperientes ou aqueles que não conseguem controlar bem o seu lado emocional.

Ainda sobre “sua única limitação é aquela que você impõe à sua mente”, mais uma vez, não é bem assim, enfatizando. Existem pessoas que simplesmente não conseguem controlar as suas emoções e continuam perdendo dinheiro de forma consistente. Não é apenas ter pensamento positivo que os problemas estarão resolvidos. Existem estratégias a serem seguidas e um tratamento psicológico para parar de fazer besteira nos investimentos.

Alguns traders acabam até tirando as suas próprias vidas por perderem dinheiro de forma consistente e ficarem devendo em suas corretoras. Nestes casos, não é só querer para “quebrar” a sua limitação.

A sua limitação, que ainda não foi identificada por você, poderá te fazer quebrar financeiramente. O trader precisa de ajuda profissional de psicólogos, psiquiatras, neurologistas etc., para poder resolver as suas questões pessoais.

 

CONCLUSÃO

Vale a pena comprar e ler Mais Esperto que o Diabo?

Quem foi guerreiro e chegou até aqui deve ter entendido o que me fez não gostar do livro. Sabendo disto que sei hoje, eu não leria este livro.

Tem coisas boas nele, senão não estaríamos discutindo isso até hoje, como já citei anteriormente, mas não é um tipo de livro que eu gosto de ler e as partes ruins superaram as partes boas, em minha avaliação. Tem muito de “terraplanismo” lá que pode ser perigoso, como comentei na seção anterior.

Resumo de outros pontos positivos e negativos em Mais Esperto que o Diabo

Um pequeno resumo de coisas boas que vi no livro:

  • Ele prende a leitura e eu gostaria de escrever desta forma também;
  • Pode ser uma boa leitura para quem trabalha com marketing digital e persuasão (com os devidos cuidados); e
  • Lendo o livro, eu tive várias ideias, inclusive sobre um livro que estou escrevendo.

Do lado ruim, fora o que já comentei ao longo da resenha, existe muita repetição ao longo do texto e ele poderia ser bem menor, entregando a mesma mensagem. Mais para o final de Mais Esperto que o Diabo, Napoleon Hill argumenta que existe um poder na repetição, para as pessoas fixarem melhor.

Isso faz sentido em certo ponto, mas a leitura ficou chata por isso. Além das questões de generalização que podem prejudicar certos tipos de pessoas que precisam de atendimento de um professional da área de saúde.

Existem também algumas passagens do livro que me lembraram muito os filmes Fome de Poder e O Rei da Polca. Os personagens principais dos filmes faziam várias coisas que davam errado, até que um dia deu certo (ou “certo” no caso de O Rei da Polca). Recomendo que vocês assistam a estes filmes também.

Me pediram também para tocar no ponto de o autor ser um charlatão ou não. Preferi não me posicionar sobre isso, dado que não sou especialista em detectar esse tipo de pessoa e o objetivo de uma resenha de livro é avaliar o livro em si. Na Internet existem muitos materiais sobre isso – sim, eu pesquisei.

E você o que achou do livro?

Professor Felipe Pontes
Felipe Pontes
Diretor Educacional do TradersClub
Doutor em Contabilidade com foco em informações contábeis para o mercado de capitais pelo Programa UnB/UFPB/UFRN. Professor de Contabilidade e Valuation. Gestor de Clube de Investimento.

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