Livro "O prazer de descobrir as coisas", de Richard Feynman - TC

TC School / Livros recomendados

Livro “O prazer de descobrir as coisas”, de Richard Feynman

15/10/2021 às 17:10

TC School

No dia dos professores, nada melhor do que um livro do melhor professor de todos os tempos, ou como disse Bill Gates: “O melhor professor que eu nunca tive”. A resenha de hoje é do livro: “The Pleasure of Finding Things Out: The Best Short Works of Richard P. Feynman” ou simplesmente “O Prazer de Descobrir as Coisas”, de Richard Feynman, cientista americano vencedor do prêmio Nobel de Física em 1965.

  • Feynman e a estrutura do livro
  • O prazer de descobrir as coisas
  • O que o Feynman descobriu
  • A não linearidade do livro
  • Conclusão

Boa leitura!

Feynman e a estrutura do livro

Antes de tudo, é interessante destacar a estrutura da obra. “O Prazer de Descobrir as Coisas” é um conjunto de entrevistas, palestras, aulas e artigos do professor Richard Feynman. O primeiro capítulo é, inclusive, retirado do documentário da BBC, também intitulado “O Prazer de Descobrir as Coisas”. 

Além de ganhar o Nobel e contribuir para a construção de uma bomba atômica, Feynman é conhecido por ser um dos mais irreverentes e didáticos cientistas da história. Aqui, ele usou o que tem de melhor para tentar explicar o que move os cientistas. 

O Prazer de descobrir as coisas

Há algum tempo atrás, cheguei a começar a ler outro livro do autor, chamado “O Senhor Está Brincando, Sr. Feynman?” e, embora algumas histórias fossem carismáticas e interessantes, senti que por vezes o livro demorava para ter uma passagem que chamasse a atenção. Em “O Prazer de Descobrir as Coisas”, a coisa aconteceu de forma radicalmente diferente.

Talvez o melhor trecho esteja na segunda página do primeiro capítulo, onde Feynman fala sobre a beleza presente em uma flor.

Como alguém que também trabalha com a ajuda do senso estético, sempre me perguntei o que movia os grandes cientistas da área de exatas, o porquê de grande parte deles dedicarem toda a vida resolvendo imensos problemas matemáticos.  Qual era a graça de tudo aquilo? Onde eles realmente queriam chegar? 

“Tenho um amigo artista que às vezes toma posições com as quais não concordo muito. Ele pega uma flor e diz “olha como é bonita”, e eu concordo. Então ele diz: “Eu, como artista, posso ver como a flor é bonita, mas você, como cientista, quer dissecar tudo, e a beleza torna-se uma coisa maçante”.

Eu acho isso maluquice. Primeiro, a beleza que ele vê está disponível para todos, e para mim também, eu creio. Embora não seja tão refinado esteticamente como ele, posso apreciar a beleza de uma flor. Ao mesmo tempo, eu enxergo muito mais na flor do que ele. Eu poderia imaginar as ações complicadas (que também têm uma beleza) dentro de suas células. Quer dizer, não existe beleza só na dimensão de um centímetro; também há beleza em dimensões menores, na estrutura interna, nos processos…

O fato de que as cores da flor evoluíram para atrair insetos que irão polinizá-las é interessante – significa que insetos podem enxergar cores [e ser atraídos pela beleza como nós somos]. Será que esse senso estético também existe em outras formas inferiores de vida? Por que essa atração pela estética? Todos os tipos de questões interessantes – objetos do interesse da ciência – só aumentam a beleza e o mistério de uma flor. Ciência só acrescenta. Não entendo como alguém possa achar que subtrai.

Richard Feynman

Bom, tive minha principal dúvida respondida logo no início, mas ainda assim, as passagens brilhantes não pararam por aí. Ainda no primeiro capítulo, Feynman explicou porque para ele, a ciência não era um trabalho:

“Eu não sei o que faz a Swedish Academy decidir que um trabalho é nobre o suficiente para receber um prêmio – Eu já tenho o prêmio. O prêmio é o prazer de descobrir as coisas. As honras que recebo são irreais.”

Richard Feynman

Para o Feynman a ciência não era um trabalho. Ele estava pouco interessado nos títulos, premiações e demais vaidades da vida acadêmica. Para ele, a ciência era um prazer. Ele era alguém fascinado em descobrir como todas as coisas funcionavam. Ele era como uma criança que se divertia em imaginar – dezenas de estruturas complexas.

Por fim, saber o nome de uma coisa não é saber sobre ela:

“Você pode saber o nome de um pássaro em todas as línguas do mundo, mas no fim das contas, você não saberá absolutamente nada sobre o que quer que seja o pássaro. Então, vamos observar o pássaro e ver o que ele faz — isso é o que conta. Eu aprendi bastante cedo a diferença entre saber o nome de algo e saber de algo.”

Achei o primeiro capítulo fantástico, o que fez, inclusive, com que eu assistisse o documentário novamente para pegar minhas passagens preferidas. Porém, a transição do primeiro para o segundo capítulo me decepcionou.

O que o Feynman descobriu

O que eu esperava do livro era que Feynman continuasse falando sobre o prazer de descobrir as coisas, não que tudo mudasse para uma temática de “O que o Feynman descobriu”.

No segundo capítulo temos um ensaio complexo e demorado sobre o futuro da computação, onde o autor de fato previu grande parte do que aconteceria com o campo com o passar dos anos.

O ponto é que do meio para o final o capítulo se torna um pouco mais técnico, com termos complexos para quem não estuda o campo. Não que o capítulo seja ruim, mas pelo direcionamento do primeiro não era algo que estava esperando.

No terceiro capítulo, o autor fala um pouco da sua experiência de construir uma bomba atômica, e como ele foi se arrependendo do que estava fazendo no meio do caminho. É uma parte mais biográfica, lembra um pouco trechos de “O Senhor Está Brincando, Sr. Feynman?”.

A ciência é a crença na ignorância dos especialistas

Durante vários trechos, Feynman reforça a importância de questionar todo o tipo de ideia. Para ele, é fundamental questionar até os especialistas:

“Eu sempre fui burro em uma coisa, eu nunca soube com quem eu estava falando. Sempre me preocupei com a física; se a ideia não parecer boa, eu falarei que não parece boa.”

A não linearidade do livro

Talvez essa seja a maior fraqueza do livro para mim. No primeiro capítulo cada uma das passagens tem seu brilho individual, não necessitando de uma linearidade textual. Os capítulos por sua vez não conseguiram funcionar de forma amontoada, pulei um ou outro.

O grande ponto forte do primeiro capítulo é o ponto fraco da estrutura dos demais.

Conclusão

Por ser um compilado, algumas passagens (e capítulos) podem parecer desconexos e cansativos. Inclusive com algumas histórias repetidas.

Mas este é um livro que encaro quase como se fosse um álbum. Talvez eu não leia nunca mais um ou dois capítulos, mas os capítulos que gostei tem passagens que sempre volto a ler, passagens essas que mostram que a genialidade de Feynman vai além do campo da mecânica quântica, o credenciando como um dos maiores professores da história.

Lucca Carlini
Lucca Carlini
Estudante de Economia na UFPE

TC School

A sua escola como investidor.

Disclaimer: Este material é produzido e distribuído somente com os propósitos de informar e educar, e representa o estado do mercado na data da publicação, sendo que as informações estão sujeitas a mudanças sem aviso prévio. Este material não constitui declaração de fato ou recomendação de investimento ou para comprar, reter ou vender quaisquer títulos ou valores mobiliários. O usuário não deve utilizar as informações disponibilizadas como substitutas de suas habilidades, julgamento e experiência ao tomar decisões de investimento ou negócio. Essas informações não devem ser interpretadas como análise ou recomendação de investimentos e não há garantia de que o conteúdo apresentado será uma estratégia efetiva para os seus investimentos e, tampouco, que as informações poderão ser aplicadas em quaisquer condições de mercados. Investidores não devem substituir esses materiais por serviços de aconselhamento, acompanhamento ou recomendação de profissionais certificados e habilitados para tal função. Antes de investir, por favor considere cuidadosamente a sua tolerância ou a sua habilidade para riscos. A administradora não conduz auditoria nem assume qualquer responsabilidade de diligência (due diligence) ou de verificação independente de qualquer informação disponibilizada neste espaço. Administradora: TradersNews Informação & Educação Ltda. Todos os direitos reservados.

TradersClub

O app essencial para investidores do mercado financeiro brasileiro.

Uma comunidade com milhares de investidores, ferramentas e serviços que vão ajudar você a investir melhor!

TradersClub