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Vida de rico sem patrimônio, de Rodrigo Zeidan

05/03/2021 às 16:00

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Apresentamos a seguir a resenha do livro “Vida de Rico sem Patrimônio”, de Rodrigo Zeidan. Neste livro sobre economia, o autor explora conceitos interessantes sobre como e por quanto tempo devemos poupar. Será que toda dívida é ruim? O que é desinvestimento? O planejamento da carreira deve andar lado a lado ao planejamento financeiro?

A resenha do livro “Vida de Rico sem Patrimônio”, de Rodrigo Zeidan, está dividida nos seguintes tópicos:

  • Quem é Rodrigo Zeidan
  • Patrimônio não é renda!
  • Poupar é um sacrifício!
  • Os três períodos do ciclo de vida financeira ideal: dívidas, poupança e desinvestimento.
  • A vida sem patrimônio e considerações finais

Boa leitura!

Quem é Rodrigo Zeidan

Rodrigo Zeidan é brasileiro, economista, com mestrado e doutorado na área. Atualmente é professor de Finanças e Economia na NYU Shanghai. Como pesquisador, suas principais áreas de interesse são gestão financeira, desenvolvimento econômico e finanças sustentáveis. Como economista brasileiro, o autor conhece a história econômica do Brasil.

Por isso, já no prefácio do livro, Rodrigo Zeidan relembra que o período de instabilidade financeira e inflação alta vivido no nosso país foi (e ainda é) responsável por moldar nosso comportamento em relação aos investimos, mesmo após mais de 20 anos de níveis controlados de inflação. Nossas decisões financeiras muitas vezes são influenciadas por um “modelo mental baseado na extrema incerteza em relação ao futuro”, ou seja, pelo medo.

É importante ter isso em mente quando realizamos um planejamento financeiro de longo prazo. Os vieses comportamentais nessa área, associados à nossa baixa escolaridade no que diz respeito à educação financeira, podem custar caro.

Boa parte dos brasileiros ao pensar em investimentos apresenta clara aversão ao risco e amor ao patrimônio, o que faz com que o binômio poupança + imóveis seja o máximo de diversificação de muitas carteiras de investimentos.

Infelizmente, muitas vezes a relação risco/retorno dessa dupla não é satisfatória. Nesse sentido, ao longo de todo o livro Rodrigo Zeidan faz questão de relembrar que é necessário mudar nosso modelo mental para a nova realidade econômica brasileira.

Patrimônio não é renda!

Ainda dentro da discussão sobre a mudança de modelo mental, somos lembrados que o conceito antigo de riqueza se resumia ao acúmulo de patrimônio.

Por isso mesmo, o termo “ficar milionário” ainda atrai tanta gente e o objetivo de muitos poupadores (e participantes de reality shows) é atingir o primeiro milhão de reais. Uma visão mais moderna do conceito de riqueza assume que viver bem é possuir renda permanente.

Meu primeiro milhão

Afinal, de nada adianta um grande patrimônio se ele não gera renda! Assim, o objetivo do investidor deveria ser conseguir uma renda permanente, suficiente para arcar com o padrão de gastos necessários para manter o custo de vida que julgar ideal durante toda a vida.

Esse conceito de renda permanente e padrão de gastos vai contra a velha máxima que diz que “devemos viver de acordo com a nossa renda”. Nesse caso, se a renda é baixa o custo de vida deve ser baixo e só poderia aumentar mediante o aumento da renda. Rodrigo Zeidan propõe um conceito diferente: que o padrão de gastos deve ser constante ao longo da vida.

Obviamente, se a renda é menor que os gastos, haverá a necessidade de contrair dívidas. Por outro lado, se a renda é maior existe a possibilidade de poupar. A ideia é que um bom planejamento financeiro permita às famílias poupar pelo menor tempo possível, mas com alta eficiência.

Poupar é um sacrifício!

Como assim, poupar pelo menor tempo possível? A grande maioria dos autores diz que devemos começar a poupar desde cedo! Pois é, neste livro Rodrigo Zeidan assume que poupar é um sacrifício do seu “eu do presente” em prol do seu “eu do futuro”. Você usufrui menos do seu dinheiro hoje para que no futuro possa usufruir mais.

Por isso, esse “sacrifício” deve ser adequadamente planejado (e investido em bons ativos) para que possa ocorrer durante o menor período possível de vida.

Certamente, se imaginamos que todos os investimentos estão no centro de um triângulo e que em cada vértice temos “liquidez”, “retorno” e “risco” é fácil perceber que à medida que cada um dos nossos investimentos se aproxima de um dos vértices, se afasta dos demais.

Portanto, para garantir a maior eficiência no uso dos valores que foram poupados, a carteira ideal deve equilibrar ativos de alto potencial de rendimento (ainda que um pouco mais arriscados) com ativos menos arriscados e mais líquidos (porém menos rentáveis). Em ambos os casos, o investidor terá o tempo trabalhando a seu favor, visto que o livro trata do planejamento financeiro de longo prazo.

Fonte: Elaboração própria

Os três períodos do ciclo de vida financeira ideal

Dívidas, poupança e desinvestimento

O autor trabalha o conceito de que, financeiramente, o período de vida do indivíduo pode ser dividido em três fases, conforme o gráfico a seguir: período de dívidas, período de poupança e período de desinvestimento. Vale lembrar o conceito de riqueza que é utilizado aqui: manter o padrão de vida que se acredita ser ideal, durante toda a vida. Por isso, no gráfico os gastos são constantes.

Fonte: adaptado de Zeidan, R. 2015.

Com o auxílio do gráfico fica fácil compreender que no período de dívidas a renda é menor que os gastos. Por isso, justificam-se dívidas razoáveis se existem perspectivas de ganhos maiores no futuro.

Obviamente, se não há perspectiva de aumento da renda ,o pagamento das dívidas será impossível. Assim, o planejamento financeiro de longo prazo deve andar lado a lado ao planejamento de carreira. Um bom exemplo aqui é o crédito estudantil, que permitirá justamente o aumento da renda futura.

Também deve haver um planejamento para o caso de cenários desfavoráveis com o objetivo de minimizar as perdas.

O segundo período se inicia quando a renda ultrapassa os gastos, no pico de renda do indivíduo. Esse período está estimado ao redor dos 30-55 anos. Nesse ponto, o planejamento adequado possibilitará o aumento da renda e o pagamento das dívidas contraídas. A partir do momento que as dívidas foram quitadas, inicia-se o período de poupança e bons investimentos para o futuro.

Já se a ideia de “viver de acordo com o que se ganha” fosse aplicada aqui, os gastos aumentariam nesse período. Justamente pelo fato que de a teoria da renda permanente prevê que os gastos já estão adequados ao estilo de vida que se pensa confortável, não haverá a necessidade de aumentar gastos.

Por fim, o terceiro período diz respeito ao desinvestimento, quando a renda cai e os gastos são mantidos constantes com o uso do que foi poupado e investido no período anterior. Mais uma vez para os brasileiros será necessário confrontar o modelo mental pré-estabelecido de pensar nas “vacas magras” e temer o futuro. Embora para muitos seja difícil se desapegar do patrimônio acumulado, ele será o responsável por remunerar o padrão de gastos permanentes.

Considerando a dificuldade se de “acertar” o patrimônio correto para que se possa viver dessa renda até o fim da vida, para a maioria das famílias o grau de aversão ao risco irá determinar variáveis de correção (sobre poupança).

Nunca é demais reforçar a ideia que um planejamento financeiro de longo prazo deve ser flexível o suficiente para permitir ajustes de acordo com os novos cenários que se apresentarem. Uma estratégia eficiente deve se adaptar às mudanças econômicas. Como se sabe, a diversificação das carteiras ajuda a otimizar a relação risco/retorno.

A vida sem patrimônio

Considerações finais

Conforme mencionado, a administração ideal de patrimônio deve permitir um fluxo de renda que seja compatível com os gastos ao longo do tempo, e não puramente o acúmulo de patrimônio por si só.

Além disso, não faz sentido o indivíduo realizar o sacrifício da poupança e morrer rico, sem a oportunidade de usufruir satisfatoriamente de seu patrimônio acumulado, deixando herdeiros milionários.

Nas famílias em que há herdeiros (e que vem diminuindo em número no Brasil) deve haver a previsão de uma herança modesta, mas que não comprometa o objetivo central: permitir que se usufrua da renda com a melhor eficiência possível.

A ideia não é “ficar rico”, mas sim “viver como rico” e, para isso, seria necessário (e possível) um período de endividamento e um período de desinvestimento. Cabe aqui um destaque importante: o livro foi publicado em 2015.

Por isso, Rodrigo Zeidan menciona em diversos momentos a possibilidade confortável que os brasileiros tem de investir em renda fixa com boa remuneração associada a baixíssimo risco. De 2015 até o momento (fevereiro/2021) a taxa de juros no país caiu bastante de forma que a remuneração da renda fixa se tornou pouco atrativa.

Nesse sentido, o planejamento de longo prazo deve ser adaptado às novas e melhores opções, usualmente atreladas à renda variável. Você é capaz de aprender a investir. Estude e conheça mais sobre economia e investimentos. O TC School quer democratizar a comunicação e torná-la acessível para todos investidores brasileiros. Queremos tornar o investimento em ações algo simples e fácil.

Acompanhe os próximos textos!

Dra Camille M Balarini
Dra Camille M Balarini
Farmacêutica-Bioquímica, especialista em Biotecnologia,
mestre e doutora em Fisiologia. Estuda sobre mercado financeiro, contabilidade
e finanças pessoais.

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