Livro Sonho Grande: a história dos sócios da 3G Capital - TC

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Sonho grande: livro inteligente para empreendedores

03/11/2020 às 18:25

TC School

O livro Sonho Grande é leitura inteligente para os investidores e empreendedores. A obra ensina lições valiosas aprendidas pelo trio de empresários mais bem sucedidos da história do Brasil: Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Marcel Telles. É um livro para empresários e todas pessoas que se interessam por economia, investimentos e empreendedorismo.

  • Introdução
  • Estrutura da obra
  • Para quem este livro é indicado?
  • Warren Buffett e Jorge Paulo Lemann
  • 5 lições que não podemos esquecer
  • Conclusão: Sonho Grande é uma leitura indispensável

Boa leitura!

livro sonho grande

Sonho grande

Introdução: conheça a história dos principais personagens da obra

AmBev, Burger King, Ketchup Heinz’s, Banco Garantia, GP investimentos, Stone, Ifood, Lojas Americanas. Você sabe o que essas empresas têm em comum? Elas são empresas investidas por Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles ou Beto Sicupira. Nesse contexto, alguns desses negócios foram construídos do zero ou compradas pelo trio. Tudo isso feito com discrição e tornando Jorge Paulo Lemann se tornar a pessoa mais rica do Brasil durante um período.

Nessa resenha trarei algumas das coisas que esses empresários têm a ensinar para você. O livro não é só uma aula sobre empreendedorismo e gestão, é uma aula sobre vida e valores, tanto na vida pública, como no pessoal.

Estrutura do livro

O livro Sonho Grande pode ser adquirido na Amazon, comprando a versão física ou o e-book com a versão em PDF.

Publicado em 2013, pela autora Cristiane Correa, o livro conta a trajetória profissional do trio de empresários brasileiros: Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira. Essa história é contada ao longo de suas 264 páginas em 18 capítulos.

Sonho grande retrata muito bem o modelo de gestão adotado pelo trio que revolucionou o mercado e conseguiu transformar sua ideia inicial em um dos maiores impérios bilhões de dólares das últimas quatro décadas.

O livro traça a ascensão desses empresários desde seus primeiros dias como corretores de ações em São Paulo até a aquisição da Heinz por US$ 28 bilhões com o apoio de Warren Buffett em 2013. A autora Cristiane Correa, uma jornalista de negócios, habilmente ilustra a fórmula para o sucesso elaborada pelos diretores da 3G Capital – Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira nos últimos 40 anos.

Frases do livro Sonho Grande

“Recrutar bons profissionais, preservar a meritocracia e compartilhar o sucesso entre os melhores”

“Os custos são como unhas – você tem que cortá-los continuamente”.

“Sem crescimento, meritocracia é apenas uma palavra bonita”.

Para quem este livro é indicado?

A obra é indicada para todos os interessados ​​em transformar o patamar de uma organização de acordo com as visões de alguns dos homens mais bem-sucedidos do país e do mundo.

É possível extrair excelentes lições para aplicar em sua jornada empreendedora e assim alcançar resultados surpreendentes. Além disso, busque a tão desejada independência financeira. Nesse contexto, as lições que surgem são valiosas para investidores, executivos e qualquer pessoa que esteja buscando criar uma cultura de sucesso em sua própria organização.

Valores centrais que Sonho Grande transmite

  • Trabalhe com os melhores;
  • Seja arrojado;
  • Investir em conhecimento;
  • Crescimento contínuo;
  • Meritocracia;
  • Simplicidade
  • Informalidade;
  • Copie o que já funciona;

A autora extraiu a filosofia de negócios para “recrutar bons profissionais, preservar a meritocracia e compartilhar o sucesso entre os melhores”. Usando essa estrutura simples, eles construíram o maior banco de investimentos do Brasil, o Garantia, a principal empresa de private equity da América Latina, GP Investimentos, e transformaram a aquisição de uma cervejaria brasileira em falência no controle da maior cervejaria do mundo, a AB InBev.

Meritocracia é o nome do jogo

Foco, responsabilidade, frugalidade e falta de hierarquia estão embutidos no DNA de cada organização que eles construíram ou controlaram. Essas ideias de negócios foram afiadas no Garantia, o banco de investimentos que os três sócios construíram juntos na década de 1970 (3G significa os três do Garantia). Eles buscaram modelar o banco de investimento com base no que há de melhor no setor naquela época: Goldman Sachs.

A estrutura que eles construíram no Garantia compartilhava muitas características com a parceria pré-IPO Goldman, baixos salários, grandes bônus baseados no desempenho, não na estabilidade, e a reciclagem dos ganhos dos principais funcionários de volta para o negócio por meio da compra de participações. Assim, essa fórmula recompensava o desempenho, mantinha os parceiros famintos e os impedia de exibir sua riqueza. Entretanto, eles admitem que era uma verdadeira “panela de pressão”, um ambiente hostil para todos que trabalhavam, sem padrões e sem regras, o que valia era “fazer” dinheiro.

Trajetória

Com o passar dos anos no Garantia, os sócios foram se tornando cada vez menos interessados ​​em negociar títulos e mais focados em usar o capital do banco de investimento para adquirir negócios. Eles encontraram seu primeiro grande negócio com um varejista brasileiro, Lojas Americanas. Quando assumiram a varejista, Sicupira ficou com a tarefa de dar a volta por cima. Ele imediatamente procurou um modelo para estudar, assim como haviam modelado seu banco segundo o Goldman. Sicupira escreveu aos CEOs dos 10 maiores varejistas do mundo para visitá-los e aprender com sua experiência. Assim, conheceram Sam Walton, fundador do Walmart, em Bentonville, eles sabiam que haviam encontrado seu modelo para o varejista: um foco incomparável em manter baixo custo e uma cultura exigente de excelência entre os gerentes.

Posteriormente, eles repetiram o sucesso revertendo uma ferrovia brasileira que antes era estatal e comprando o controle da cervejaria brasileira Brahma. Esses acordos geraram confiança para levar sua fórmula para o cenário global, consolidando o setor de cerveja no Brasil e depois se fundindo com a belga Interbrew.

O maior negócio da vida: a compra da Anheusuer Busch

O acordo de US $ 52 bilhões para comprar a Anheusuer Busch em meio à crise financeira de 2008 testou a coragem dos empresários. Os gerentes da 3G exigiram uma mudança rápida para pagar a grande dívida assumida para comprar a gigante da cerveja após décadas de generosidade na empresa familiar Busch.

As paredes que separavam os escritórios executivos foram derrubadas, 1.400 funcionários demitidos nas primeiras semanas, a frota de jatos particulares da empresa foi vendida e os executivos restantes mandaram voar em classe econômica. Um ano depois de assumir o comando, Carlos Brito da 3G cortou US$ 1 bilhão em custos e vendeu US $ 9 bilhões em ativos do império Anheusuer Busch. Com a deterioração da economia global, a AB InBev ofereceu a 39 executivos seniores US$ 1 bilhão em opções de ações, mas somente se eles pudessem cortar a dívida da empresa pela metade até 2013.

A AB InBev distribuiu o pagamento de opções entre 2014 e 2019 para incentivar os gerentes recém-ricos a pensar a longo prazo e manter seu próprio capital no negócio. Essa abordagem recompensou os gestores, mas evitou que se distraíssem com sua nova riqueza – ecoando a lição que aprenderam com o Goldman e aplicaram pela primeira vez na parceria no Garantia.

Nem tudo são flores

Nem todo negócio nos Estados Unidos foi um sucesso instantâneo. Lemann e seus colegas adquiriram 4,2% das ações da operadora ferroviária CSX em 2007, trabalhando com o Children’s Investment Fund na tentativa de assumi-la. No final das contas, eles não conseguiram arrancar o controle do conselho após anos de disputas legais. A 3G saiu do investimento em 2011 com um retorno de 80% em quatro anos – nada mal, mas muito menos do que eles pensavam ser possível com seus gerentes no comando.

A aquisição da Heinz por US $ 28 bilhões pela 3G Capital no ano passado em uma joint venture 50/50 com a Berkshire Hathaway de Warren Buffett não será o último grande negócio para os parceiros em sua jornada ao escalão superior dos negócios globais. Eles estabeleceram seus critérios para metas futuras: uma marca forte, alcance global e uma empresa cujos resultados podem ser melhorados por meio de seu sistema de choque administrativo. Dessa forma, esses gerentes ambiciosos continuam a sonhar grande e têm suas lanças afiadas para o próximo grande peixe no mar.

Warren Buffett e Jorge Paulo Lemann

Warren Buffett, a pessoa mais respeitada no mundo dos investimentos, teve vários momentos marcantes com Lemann, alguns foram citados no livro. Assim, caso queira conhecer mais a história de Warren Buffett, não deixe de ler a nossa resenha sobre a sua biografia A Bola de Neve de Warren Buffet.

Buffett em sua primeira reunião com Lemann em 1998, quando os dois estavam no conselho da Gillette

“Eu não sabia absolutamente nada sobre ele e nunca tinha ouvido falar dele. Costumávamos nos encontrar a cada dois ou três meses e demorou algum tempo até que realmente nos conhecêssemos. No entanto, você aprende muito sobre as pessoas em um conselho de administração. O que notei desde o início foi que ele disse coisas que faziam sentido. Ele não fingiu saber coisas que não sabia ou falava apenas para ouvir o som de sua própria voz. Ele tinha uma visão excelente dos negócios e era articulado, o que não pode ser dito de todos os membros do conselho ”.

Buffett sobre a oferta pela AB e sua decisão de vender sua participação durante a licitação

“Eu pensei que ele faria isso um dia, mas não sabia que seria naquele momento. Foi um passo enorme em uma época totalmente hostil. Houve um momento em que honestamente não achei que o negócio fosse adiante. Foi a única transação desse porte na época … Minha decisão foi avaliar se, nesse cenário, o preço da ação subiria ou não e se o negócio seria realmente fechado apesar da crise. Então, vendi parte da minha aposta, o que irritou algumas pessoas. 

Não sabia como funcionava o conselho da AB. Eu tinha conhecido [August Busch] no Quarto Dia apenas uma vez em um jogo de beisebol e falei pessoalmente com o Terceiro cerca de 15 anos antes. Nunca falei com eles por telefone ou tive qualquer relacionamento. Isso às vezes acontece com as empresas em que investimos. Fizemos um grande investimento na AB, mas não tão grande quanto temos na Coca-Cola, por exemplo. Eu gostava da empresa e fazíamos parte dela há muitos anos … Seria difícil perder dinheiro lá, assim como seria difícil ter um grande ganho. Foi uma opção sólida, mas nada particularmente emocionante. ”

5 lições que não podemos esquecer do livro sonho grande

1- Não há problema em copiar do melhor

Já foi citado, mas é importante demais para que não seja novamente. O trio da 3G Capital mostrou a todos que se importam em ouvir. A maioria das coisas que eles implementaram ao longo de 40 anos foram de Jack Welch, Jim Collins, da GE, do Wal- Mart. A grande diferença está na excelente execução e localização desses princípios de negócios.

2- Escolha bem seus negócios

Assuma o controle de empresas inchadas e ineficientes, imponha disciplina (metas operacionais e controle de despesas) e gere forte fluxo de caixa (para pagar dívidas de compra) e fique de olho nos custos. Uma das minhas citações favoritas deste livro é que “Os custos são como unhas – você tem que cortá-los continuamente”. Seu “orçamento base zero”, em que cada despesa deve ser justificada de novo a cada ano, não apenas as novas, com uma meta de torná-la mais baixa do que no ano anterior diz tudo. Além disso, outro ponto que o trio admite ter errado algumas vezes foi em ter deixado alguns negócios sem atenção, como o próprio Banco Garantia, que se tornou pequeno frente aos negócios que os empresários vinham tocando, e acabou passando por problemas e sendo vendido posteriormente.

3- Selecione jovens gerentes com fome de sucesso: dê a eles grandes objetivos e incentive-os puramente com base no Mérito.

As pessoas que pertencem à categoria PSD (pobre (poor), inteligente (smart) e profundo desejo de enriquecer (deep desire to get rich)). Como líder, você também precisa sonhar grande o suficiente (é preciso o mesmo esforço para sonhar grande e sonhar pequeno) para manter pessoas talentosas. “Sem crescimento, meritocracia é apenas uma palavra bonita”.

4- A cultura é quase tudo nas aquisições de empresas

A cultura não deve ser vista como um facilitador da estratégia, mas como uma estratégia central. Todas as empresas que eles criaram e adquiriram administram uma cultura semelhante de meritocracia, otimização de custos e melhoria contínua.

5- Invista em auto aperfeiçoamento

Um dos pontos de virada como lider de Marcel Telles, foi após participar do programa da Harvard Business School. O trio personifica o contínuo auto-aperfeiçoamento. Mesmo no auge, eles ainda participam do retiro anual de mentoria com Jim Collins.

Conclusão: Sonho Grande é uma leitura indispensável para os investidores

Por fim, venho mais uma vez ressaltar a leitura desse livro para todos que se interessam pelo mundo dos investimentos. É uma obra completa, uma leitura divertida e com muitos aprendizados, tudo que um livro precisa para ser bom!

Natanael Liberalino
Natanael Liberalino
Certificado de Especialista em Investimentos – CEA/ANBIMA
Estudante de Economia

TC School

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