Ibovespa - B3: Tudo sobre as ações do índice Bovespa (Ibov) - TC

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Bolsa de Valores do Brasil: história, índices e curiosidades

03/02/2021 às 12:31

Danilo Hadek

A Bolsa de Valores do Brasil, popularmente conhecida como Bovespa, é atualmente administrada pela B3 e está entre as principais bolsas mundiais em valor de mercado.

No texto a seguir, elencamos diversas informações sobre o mercado de capitais brasileiro, desde dados históricos, empresas que compõem o índice Bovespa, gráficos com as cotações das ações da B3, entre outras curiosidades. Para facilitar a leitura, dividimos o artigo nos seguintes tópicos:

  • História da Bolsa de Valores do Brasil
  • [B]³ – Brasil, Bolsa e Balcão
  • Índice Bovespa: o Ibovespa
  • Setores da Bolsa de Valores
  • Investidores na Bolsa de Valores
  • IPOs na B3

Boa leitura!

b3 bovespa

História da Bolsa de Valores no Brasil

A história do mercado de capitais no Brasil tem início com a criação, em 1845, da Bolsa do Rio de Janeiro. Algum tempo depois, no dia 23 de agosto de 1890, dá-se início às operações da Bolsa livre, em São Paulo.

No entanto, fundada pelo presidente Emílio Rangel Pestana, as atividades desta bolsa duraram apenas até a crise do Encilhamento, que ocasionou séria bolha de crédito especulativo devido aos estímulos à industrialização do Brasil do Ministro da Economia, Ruy Barbosa.

Após alguns anos, foi inaugurada, em 1897, a Bolsa de Fundos Públicos de São Paulo, marcando de forma mais consistente o emergente mercado de capitais brasileiro, inclusive com decreto que regulamentou o trabalho dos corretores de fundos públicos.

A grande mudança instituída pelo decreto foi o de transformar as bolsas em associações autônomas e sem fins lucrativos. Antes disso, as bolsas brasileiras eram entidades oficiais e os governos estaduais nomeavam os corretores. Existia uma bolsa para cada estado federativo. Sim, já tivemos 27 Bolsas de Valores no Brasil.

Em 1934, a Bolsa de São Paulo fixou-se no Palácio do Café, no Pátio do Colégio, centro de São Paulo. E, finalmente, em 1935, a instituição recebeu o nome de Bolsa Oficial de Valores de São Paulo.

Ao longo das décadas seguintes, após muitas transformações, em 1967 foi criada a Bovespa – Bolsa de Valores de São Paulo. E, em 1987, também iniciaram atividades a Bolsa de Mercadorias e Futuro (BMF) e a Central de Custódia e Liquidação Financeira de Títulos (Cetip).

No início da década de 2000, a BMF compra a Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, para em 2007 abrir o capital social. No mesmo ano acontece o IPO da Bovespa. E já no ano seguinte, a Bovespa e a Bolsa de Mercadorias & Futuros anunciam fusão, com a criação da Nova Bolsa.

Integrando os dois negócios, a nova sociedade favorece o desenvolvimento do mercado de capitais no Brasil, aliando a força da Bovespa Holding nos mercados de ações e de derivativos de ações com a da BM&F nos mercados de futuros financeiros e de commodities, de câmbio à vista e de títulos.

Já a Cetip abre capital em 2009. E, finalmente, em 2017, da fusão da Cetip com a Nova Bolsa (BMF&Bovespa) cria-se a B3, a atual Bolsa de Valores brasileira.

Entenda o porquê do nome Bolsa

Apenas a título de curiosidade, a primeira Bolsa de Valores do mundo foi instituída na pequena cidade medieval de Bruges, na Bélgica. O intuito era intermediar especialmente empréstimos e trocas de metais preciosos.

Para quem não sabe, as residências na Europa no início da Idade Moderna não eram numeradas.

A forma de identificar o endereço correto do logradouro eram desenhos ou esculturas. Portanto, como o local onde aconteciam as transações financeiras da época era identificado por bolsas, rapidamente a denominação “casa das bolsas” ganhou popularidade no Velho Continente e se perpetuou para o Novo Mundo.

[B]³ – Brasil, Bolsa e Balcão

O logo da B3, estilizado com elevado ao cubo, faz justamente referência aos três Bs — Brasil, Bolsa e Balcão.

ações da b3

Prédio onde são negociadas ações da B3, no centro de São Paulo | fonte: B3

Após breve menção histórica e curiosidades à parte, voltemos a 2021. Atualmente, a B3 está entre as principais bolsas mundiais em valor de mercado.

Todos os dias investidores de mais de 60 países investem em ações da B3, ou seja, as empresas listadas na bolsa.

Para ter uma ideia do crescimento do mercado de capitais no país, pesquisa recente da B3 apontou que o número de contas abertas por investidores na Bolsa brasileira ultrapassou a marca de 3,2 milhões de CPFs em outubro de 2020, todos certamente em busca de melhores rentabilidades com investimentos em ações, fundos imobiliários e outros ativos financeiros.

Confira gráfico com a evolução de investidores de varejo no final do artigo.

Horário de abertura da Bolsa

O horário de abertura da Bolsa brasileira é às 10h.

No entanto, 15 minutos antes da abertura do pregão, acontece o leilão de pré-abertura. O leilão de pré-abertura serve para definir os preços iniciais das negociações no dia.

Visita ao prédio da B3

Aliás, você sabia que é possível visitar o prédio da B3 no centro de São Paulo?

Quem investe na Bolsa e deseja conhecer de perto os bastidores do mercado de ações, o prédio da B3 mantém um espaço histórico e convidativo para que turistas e visitantes conheçam de perto o funcionamento dos antigos pregões.

Localizado na rua XV de Novembro, 275, no centro de São Paulo, o local passou por reformas durante a pandemia do covid-19, em 2020, e reabriu ao público em novembro, mas ainda sem visitas guiadas por conta dos protocolos de segurança e distanciamento social.

São mais de 100 mil itens expostos que nos proporcionam verdadeira viagem no tempo, nos levando aos primórdios da bolsa de valores brasileira, ou o que todos conhecem como Bovespa.

Visitar o prédio da B3 no centro de São Paulo é uma dica de passeio na capital. E o melhor, sem taxas de corretagem, sem pagar para entrar.

A visita é gratuita!

Índice Bovespa: o Ibovespa

O índice Bovespa foi criado em 1968 e é considerado o principal índice de mercado do Brasil. Este índice é o que aparece nos principais jornais do Brasil quando a bolsa de valores vira assunto do noticiário.

IBOV (Ibovespa) – Cotação de Hoje

Cotação do ETF

Acompanhe a cotação do Índice Bovespa – BOVA11 na plataforma do TC. Gráficos, análises, calendário econômico, contabilidade financeira, carteira de investimentos, fundos e muito mais.

As ações da B3

gráfico ações da b3

Gráfico com cotação de todas as ações da B3 | fonte: B3

Dentre as empresas listadas na B3, temos o índice Bovespa, que replica as cotações nos preços das ações da B3 que compõem o índice. Aliás, é possível investir no ETF BOVA11, que replica o mesmo. O Ibovespa foi criado no dia 2 de janeiro de 1968 e é hoje considerado o principal índice do mercado de capitais brasileiro.

Em décadas passadas, o índice Bovespa (Ibov) era dominado por empresas estatais, e aos poucos, as companhias de capital privado passaram a se sobressair na composição deste. De tempos em tempos a composição do índice Bovespa sofre alterações.

Recentemente, em janeiro de 2021, tivemos nova atualização com lista de ações da B3 que compõem o Ibov. Confira abaixo:

indice bovespa

Composição do índice Bovespa | Elaboração própria com dados da B3

Com o gráfico acima é possível notar que as principais ações que compõem o Ibovespa são Vale (VALE3), Petrobras (PETR3 / PETR4), Itaú (ITUB4 / ITSA3), Bradesco (BBDC4 / BBDC3), B3 (B3SA3), Magazine Luiza (MGLU3) e Ambev (ABEV3).

Somadas, tais empresas participam com pouco mais de 40% do índice. Ou seja, das 78 empresas que fazem parte do Ibovespa, quase metade da participação se dá por meio das 6 empresas mencionadas acima.

Vale lembrar que a lista de ações da B3 que compõem o Ibov têm vigência quadrimestral. Portanto, a tabela acima, publicada em janeiro no site da B3, fica atualizada até abril de 2021, podendo sofrer alterações com rebalanceamento dada a volatilidade implícita nos ativos.

  • ETFs na B3: BOVA11, SMAL11, IVVB11, IMAB11, ETF Inverso

O que é o Ibovespa

Códigos das ações da B3

Para quem tem curiosidade em saber mais sobre o significado dos códigos das ações na B3, temos um texto bem legal que explica em detalhes sobre os tipos de ações (ordinárias, preferenciais e units), e como são definidos estes tickers para negociação do ativo.

Ibovespa nas bolsas mundiais

O Ibovespa, principal índice de ações da B3, é negociado em diversas bolsas mundiais. Os países onde é possível investir no Ibov são Estados Unidos (futuro), África do Sul (futuros), Israel (ETF), Europa (produtos estruturados), Índia (futuro), China (futuro), Rússia (futuro) e Japão (ETF).

etf bovespa

Países onde o Ibovespa é negociado | fonte: B3

Já para os investidores brasileiros que queiram investir em empresas estrangeiras, recentemente a Comissão de Valores Monetários (CVM) autorizou a flexibilização para as negociações dos Brazilian Depositary Receipts (BDR) na B3.

Com as novas regras, o investidor pessoa física tem a sua disposição mais de 500 empresas globais para investir via BDR, como por exemplo Apple, Google, Amazon, Berkshire Hathaway, Coca Cola, Facebook, McDonald ‘s, Mastercard, Microsoft, entre outras.

Antes de investir, também é legal entender a classificação das empresas por valor de mercado. Temos um texto onde explicamos em detalhes a categorização das companhias de capital aberto em Large Caps, Mid Caps e Small Caps.

Setores da Bolsa

Lista de ações da B3 por setor

É possível classificar as empresas listadas na bolsa por setores em que atuam para facilitar a análise das ações da B3 comparativamente, além de ajudar na composição de um portfólio diversificado.

Para determinar tal classificação setorial, a B3 utiliza alguns critérios, como o serviço ou produto que mais gera receita para a companhia e participação acionária.

  • Bens industriais: reúne empresas que atuam desde o transporte rodoviário até equipamentos e maquinários de uso industrial. Alguns exemplos são Azul (AZUL4), CCR (CCRO3), CSU Cardsystem (CARD3), Embraer (EMBR3), Gol (GOLL4), Kepler Weber (KEPL3), Marcopolo (POMO4), entre outras;
  • Comunicação: lista de empresas das áreas de mídia, telecomunicações e telefonia. Alguns exemplos são Oi (OIBR3), Telefônica (VIVT3), entre outras;
  • Consumo Cíclico: reúne empresas que dependem de um ciclo econômico, como construção civil, aviação e viagens, utilidades domésticas, educação, automóveis, varejo, hotéis, vestuário e calçadista. Alguns exemplos são Alpargatas (ALPA4), Arezzo (ARZZ3), Cogna (COGN3), Burger King Brasil (BKBR3), CVC (CVCB3), Cyrela (CYRE3), JHSF (JHSF3), Magazine Luiza (MGLU3), Viva (VIIA3), Localiza (RENT3), entre outras;
  • Consumo não cíclico: reúne empresas do setor primário, como agropecuária, frigoríficos, alimentos processados, bebidas e produtos de limpeza. Alguns exemplos são: Ambev (ABEV3), BrasilAgro (AGRO3), Camil (CAML3), JBS (JBSS3), M.Dias Blanco (MDIA3), Marfrig (MRFG3), entre outras;
  • Financeiro: como vimos acima, o setor financeiro é responsável por boa parte do peso do Ibovespa, e inclui corretoras, bancos e seguradores. Alguns exemplos são Itaú (ITSA3), Bradesco (BBDC4), Banco do Brasil (BBSA3), Cielo (CIEL3), IRB Brasil (IRBR3), Porto Seguro (PSSA3), Sul América (SULA11), entre outras;
  • Materiais básicos: o setor é composto por companhias que produzem ou comercializam minério, embalagens (papel e celulose) e produtos químicos e siderurgia. Alguns exemplos são Vale (VALE3), Gerdau (GGBR3), Usiminas (USIM5), Braskem (BRKM3), Duratex (DXCO3), Ferbasa (FESA4), entre outras;
  • Petróleo, Gás e Biocombustível: fazem parte deste grupo empresas que atuam na extração e/ou refino deste produto. Alguns exemplos são PetroRio (PRIO3), Enalta (ENAT3), Grupo Ultra (UGPA3), Cosan (CSAN3), entre outras.
  • Saúde: o setor reúne empresas administradoras de planos de saúde, odontológico, farmácias e exames laboratoriais. Alguns exemplos são Dimed (PNVL3), Fleury (FLRY3), Hermes Pardini (PARD3), Odontoprev (ODPV3), Qualicorp (QUAL3), Raia Drogasil (RDL3), entre outras.
  • Tecnologia da Informação: fazem parte deste setor as companhias que atuam com computadores, equipamentos de informática, serviços e programas computacionais. Alguns exemplos são Linx (LINX3), Locaweb (LWSA3), Totvs (TOTS3), Sinqia (SQIA3), entre outros.
  • Utilidade pública: o setor reúne companhias de energia e saneamento básico. É um dos melhores setores para o longo prazo, pois são as empresas mais perenes da Bolsa de Valores. Alguns exemplos são AES Brasil (TIET11), Eletrobras (ELET3), Eneva (ENEV3), Engie Brasil (EGIE3), Equatorial (EQTL3), Sabesp (SBSP3), Taesa (TAEE11), ISA CTEEP (TRPL4), entre outras.

Investidores na Bolsa de Valores

Evolução do número de investidores pessoa física na B3

Por fim, um dado importante sobre a Bolsa de Valores do Brasil – Bovespa B3. A cada ano o número de investidores pessoa física cresce no país, em especial com a participação feminina.

Abaixo é possível observar a evolução crescente de CPFs na Bolsa de Valores (investidores de varejo). Enquanto até 2018 o número de mulheres investidoras manteve-se praticamente estável, nos últimos 2 anos este número teve um crescimento de quase 5x, subindo de 179392 (2018) para 847.269 (2020) mulheres na bolsa.

investidores na b3

Evolução do número de investidores PF na B3 | fonte: B3

Observação: O critério considera o CPF cadastrado em cada agente de custódia, ou seja, pode contabilizar o mesmo investidor caso ele possua conta em mais de um corretora.

Aliás, em linha com o crescimento dos investidores de varejo na B3, as ações e fundos imobiliários bateram recordes no ano passado. As ações somaram R$ 166.1 bilhões em emissões em 2020, frente a R$ 132.4 bilhões em 2019.

IPO – Oferta Pública Inicial

A quantidade de IPO´s também foi recorde, somando 27 no ano de 2020, quantidade maior que o acumulado dos últimos 5 anos anteriores. São ótimos números, afinal a consolidação do mercado financeiro também se dá pelo aumento de companhias listadas na bolsa de valores.

Em 2021, novos IPO´s prometem movimentar a B3, como a Espaço Laser (ESPA3), Intelbras (INTB3), Mosaico (MOSI3), Mobly (MBLY3), Focus Energia (POWE3), Jalles Machado (JALL3), Bemobi (BMOB3), Faculdades Cruzeiro do Sul (CSED3), Westwing (WEST3) e OceanPact (OPCT3).

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Danilo Hadek
Redator do TC School
Formação em Relações Públicas pela UNESP/Bauru com especialização em Comunicação Organizacional pela ECA/USP. Fundador do site Muita Viagem. Investindo em viagens, conhecimento e renda variável.

Danilo Hadek

Analista de conteúdo do TC-School.

Formação em Relações Públicas pela UNESP/Bauru com especialização em Comunicação Organizacional pela ECA/USP. Fundador do site Muita Viagem. Investindo em viagens e renda variável.

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