O que faz o mercado de ações subir - TC

TC School / Mercado de ações

O que faz o mercado de ações subir no tempo?

02/03/2021 às 10:00

TC School

O preço das ações flutuam com frequência na Bolsa de Valores. Isso porque o mercado de ações não é a economia e, no geral, é difícil encontrar uma relação entre os dados da economia real e o nível do preço das ações no mercado de ações.

O mercado de ações é um mecanismo que reflete as informações e as projeções esperadas pelos investidores, sendo o principal motor de alta no mercado financeiro, a demanda pelos ativos. Já a demanda é afetada pela expectativa de que as empresas irão investir em projetos rentáveis e que irão distribuir o fluxo de caixa gerado para o acionista. A seguir, vamos discorrer sobre o tema elencando os seguintes pontos:

  • O mercado de ações vs. a economia
  • Oferta e demanda por ativos de risco
  • Valor das ações das empresas listadas na Bolsa de Valores

Boa leitura!

O preço das ações

Os preços das ações flutuam com frequência, aumentando e diminuindo de valor em um único dia de negociação. Um fenômeno similar ocorre com os índices de mercado (como o Ibovespa no Brasil). Consequentemente, muitas pessoas questionam o motivo para isso ocorrer.

Para ajudá-lo a entender, aqui está uma visão geral básica de algumas das forças que causam essa volatilidade e, consequentemente, a exigência de uma compensação por investir em ativos com risco.

Continue lendo para aprender sobre como funciona o mercado de ações e como os preços das ações são definidos. Vamos dividir em 3 tópicos. No primeiro, esclarecemos uma confusão recorrente: a relação entre economia real e o mercado de ações. No segundo tópico, falaremos da oferta e demanda por ativos. No terceiro tópico, vamos falar do valor das ações das companhias listadas.

O mercado de ações vs. a economia

Fonte: IBGE

No Brasil, durante o ano de 2020, o desemprego aumentou e as expectativas de crescimento do PIB caíram para valores negativos. Segundo o IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a taxa de desocupação atingiu um recorde de 14,6% no trimestre de julho até setembro de 2020.

E o que aconteceu com a Bolsa de Valores? No mesmo período, o principal índice de mercado acionário do Brasil, o Ibovespa, apresentou alta de 0,46%, vindo de uma recuperação que começou em 20 de março do mesmo ano (Após uma queda de mais de 40% em relação a 21 de fevereiro).

Você pode se perguntar: se o país está pior e a Bolsa de Valores está melhorando, então quando o Brasil piora a Bolsa melhora? A resposta é: não. Os níveis de preço da Bolsa de Valores possuem pouca relação com os dados da economia real (desemprego, inflação, crescimento do PIB, dentre outros). O motivo para isso ocorrer é que o mercado de capitais não é economia real. Assim como a economia real não é a Bolsa de Valores.

A Bolsa de Valores é um mecanismo de precificação que “olha para frente”. Enquanto os dados econômicos são indicadores correntes ou atrasados. Sendo assim, a relação no mesmo período entre eles é muito baixa. Por exemplo, quando os dados econômicos sobre a recessão saíram, o mercado de ações já estimava uma queda a muito tempo, ou seja, a informação “já estava parcialmente no preço”. As notícias que afetam a Bolsa são aquelas que ninguém sabia de fato: as surpresas.

Oferta e demanda por ativos de risco

O que faz a Bolsa subir ou cair?

Sendo assim, perceba que o mercado de ações é muito similar a um leilão, com uma parte querendo vender sua propriedade de uma determinada empresa e outra parte querendo comprar a propriedade (podemos imaginar as ações como pequenos pedaços de propriedade).

Quando as duas partes chegam a um acordo sobre um preço, a negociação é combinada e isso se torna a nova cotação de mercado para a ação. Esses compradores e vendedores podem ser indivíduos, corporações ou empresas de gestão de ativos que administram dinheiro para clientes privados, como os fundos de investimento, fundos de índice ou fundos de pensão.

Os preços das ações são afetados pela oferta e demanda. Como o mercado de ações funciona como um leilão, quando há mais compradores do que vendedores, o preço tem que se adaptar ou não há negociações. Isso tende a elevar o preço, aumentando a cotação de mercado na qual os investidores podem vender suas ações e atraindo investidores que antes não estavam interessados em vender.

Por outro lado, quando os vendedores superam os compradores e há menos demanda, quem estiver disposto a fazer o lance menor define o preço, resultando em uma queda nos preços das ações.

O valor das empresas

Ok, até agora vimos que: (1) o mercado de ações é um mecanismo de precificação que “olha para o futuro” e tem pouca relação com os dados econômicos passado ou atuais; (2) ele funciona com um leilão. Se mais pessoas estiverem dispostas a comprar, o preço irá se ajustar para cima e vice versa. Logo, ele é afetado pela demanda por ativos.

E o que muda a demanda pelos ativos?

O que muda a demanda por ativos é a busca por retornos. Os investidores buscam investir em ativos que eles acreditam que irão desempenhar bem no futuro. Para que este ativo tenha um bom desempenho, é preciso que ocorra crescimento na companhia.

Logo, uma das principais mensagens deste artigo é que o crescimento corporativo agrega valor apenas quando as empresas reinvestem seus lucros em projetos que devem gerar pelo menos seu custo de capital – enquanto, ao mesmo tempo, se comprometem a retornar o excesso de caixa e capital aos seus acionistas por meio dividendos ou recompra de ações.

Custo do capital, crescimento e dividendos” são assuntos estranhos para você? Então Acompanhe a nossa seção de Análise Fundamentalista no TC School:

Assim, para que os lucros cresçam é importante que algumas condições básicas se concretizem. Por isso, o investidor deve ficar sempre atento ao noticiário sobre os seguintes aspectos:

  1. Situação das economias local e mundial: processos de expansão da atividade e o investimento, que é a forma como as empresas se preparam para a demanda futura por seus bens e serviços, geralmente alimentam um maior volume de consumo na economia, aumentando a compra dos produtos produzidos pelas empresas.
  2. Crédito: A política de crédito é fundamental para o crescimento econômico. Quando a economia está rodando com juros baixos, o crédito se torna mais acessível – fomentando a compra de bens e serviços. Caso contrário, a economia tende a andar mais devagar.
  3. Políticas de estímulo: Um governo que opera com orçamentos equilibrados e pode cortar impostos ou reduzir o peso da burocracia no setor privado, geralmente se traduz em maior rentabilidade empresarial, menos encargos para consumidores e companhias mais competitivas. Os lucros das empresas geralmente reagem bem a esses tipos de situações.
  4. Choque de produtividade: Tecnologias mais modernas permitem às empresas produzir mais com menos recursos envolvidos, o que impacta diretamente o custo de produção. E menores custos se traduzem em maiores lucros.

Referências

Ritter, J.R. (2012), Is Economic Growth Good for Investors?1. Journal of Applied Corporate Finance, 24: 8-18. https://doi.org/10.1111/j.1745-6622.2012.00385.x

Lucas Nogueira
Mestre em Finanças pelo PPGA/UFPB
Analista de conteúdo do TC School

TC School

A sua escola como investidor.

Disclaimer: Este material é produzido e distribuído somente com os propósitos de informar e educar, e representa o estado do mercado na data da publicação, sendo que as informações estão sujeitas a mudanças sem aviso prévio. Este material não constitui declaração de fato ou recomendação de investimento ou para comprar, reter ou vender quaisquer títulos ou valores mobiliários. O usuário não deve utilizar as informações disponibilizadas como substitutas de suas habilidades, julgamento e experiência ao tomar decisões de investimento ou negócio. Essas informações não devem ser interpretadas como análise ou recomendação de investimentos e não há garantia de que o conteúdo apresentado será uma estratégia efetiva para os seus investimentos e, tampouco, que as informações poderão ser aplicadas em quaisquer condições de mercados. Investidores não devem substituir esses materiais por serviços de aconselhamento, acompanhamento ou recomendação de profissionais certificados e habilitados para tal função. Antes de investir, por favor considere cuidadosamente a sua tolerância ou a sua habilidade para riscos. A administradora não conduz auditoria nem assume qualquer responsabilidade de diligência (due diligence) ou de verificação independente de qualquer informação disponibilizada neste espaço. Administradora: TradersNews Informação & Educação Ltda. Todos os direitos reservados.

TradersClub

O app essencial para investidores do mercado financeiro brasileiro.

Uma comunidade com milhares de investidores, ferramentas e serviços que vão ajudar você a investir melhor!

TradersClub