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Análise setorial do setor calçadista na B3

30/04/2021 às 13:16

TC School

O setor calçadista na Bolsa de Valores brasileira tem características específicas, sendo bastante relevante para a economia do país. Por isso, para ajudar os investidores compreenderem melhor a dinâmica do setor, elencamos no texto a seguir, dados importantes sobre as empresas que o compõem. Logo, faremos uma análise setorial deste, perpassando pelos seguintes tópicos:

  • Como funciona o setor calçadista?
  • Desempenho do setor na B3
  • Empresas do setor calçadista negociadas em Bolsa

Boa leitura!

Como funciona o setor calçadista?

Mundial

O comércio e a produção de calçados é um assunto de relevância mundial e envolve uma série de questões geopolíticas muito além do lucro dessas companhias, como por exemplo, a utilização de mão de obra escrava na fabricação desses produtos.

A imagem abaixo, retirada do relatório setorial da indústria de calçados no Brasil da ABICALÇADOS, mostra a relevância desse segmento para a economia global e como o setor foi negativamente impactado pela pandemia e restrições de mobilidade.

Fonte: WSR (*) ESTIMATIVA ABICALÇADOS

*Nota: Informações de exportação e importação reportadas, respectivamente, pelo país de origem e destino. A divergência no saldo mundial de exportações se dá em função do valor que é reportado pelos países, bem como pela ausência de valores.

É notável a dominância dos países asiáticos, principalmente da China, na dinâmica global da produção de calçados. O Brasil ocupa a 4° posição no ranking. Abaixo, é possível ver a produção dos dez maiores produtores de calçados do mundo.

Produção mundial de calçados

Além de ser o maior produtor, a China é também o maior consumidor (16,9% do consumo mundial) seguida pela Índia (14,4%), pelos Estados Unidos (12,1%) e pelo Brasil (4,2%).

A estrutura de custos extremamente competitiva por conta da mão de obra barata e abundante nos países asiáticos, além da grande demanda de abastecimento do mercado interno desses países, faz com que os maiores players do setor calçadista estejam concentrados naquela região.

Nacional

O setor calçadista brasileiro é marcado por uma produção voltada para abastecer a demanda local, possuindo mais de 85% das suas vendas direcionadas para o mercado doméstico.

Um dos desafios enfrentados pelas empresas do setor calçadista é a questão da ociosidade. O nível de utilização da capacidade instalada vinha em uma tendência de recuperação (75% em 2017, 76% em 2018 e 76,9% em 2019), entretanto, o choque provocado pela crise atual fez o indicador despencar para 60,4% em 2020.

Ao mesmo tempo que a capacidade ociosa pode ser um indicativo positivo, visto que não serão necessários grandes gastos de capital no setor para aproveitar um aquecimento na demanda, existe o outro lado da moeda que são empresas operando com uma estrutura de custos ineficiente.

Atualmente, a produção do setor calçadista do Brasil divide-se por dez estados, com o Ceará e o Rio Grande do Sul como destaques, conforme gráfico abaixo.

Interessante observar a Grendene, a qual tem sede no Rio Grande Sul mas a maioria do parque fabril da empresa está no Ceará, haja visto os incentivos fiscais que o estado oferece para a empresa. Esses incentivos inclusive explicam o porquê da empresa manter uma grande parte dos seus ativos em caixa e aplicações financeiras, já que em razão dos incentivos, a empresa tem sua distribuição de dividendos limitada.

Fonte: TC Matrix

Desempenho do setor

No Brasil, as empresas listadas na bolsa desse setor são a Alpargatas (ALPA4), Cambuci, (CAMB3), Grendene (GRND3) e a Vulcabras (VULC3). A Arezzo também é uma produtora de calçados, mas por ter um modelo de negócios e planejamento estratégico (a companhia deseja se tornar uma plataforma de moda completa) distintos das outras empresas, não foi utilizada como comparável.

Evolução de R$100 investidos nestes ativos

Empresas do setor calçadista negociadas em Bolsa

Após um panorama geral do setor calçadista no Brasil e no mundo, vamos conhecer mais a fundo as principais companhias fabricantes de calçados listadas na B3 – a Bolsa de Valores brasileira.

Alpargatas (ALPA4)

Fonte: TC Matrix

A Alpargatas (ALPA4) é a maior empresa brasileira do setor calçadista, segundo pesquisa do Valor1000 e atua com várias marcas, dentre as quais podemos destacar Havaianas e Osklen. A companhia possui quatro fábricas espalhadas por três estados brasileiros para produzir seus calçados.

A maior parte das receitas da empresa vem do mercado interno (79%). Nos últimos três anos, as operações nacionais ganharam mais relevância, crescendo a taxas maiores do que as operações internacionais (que correspondem às exportações diretas e as operações internacionais da Havaianas).

Cambuci (CAMB3)

Fonte: TC Matrix

A Cambuci (CAMB3) é gestora das marcas de materiais esportivos Penalty e Stadium. Além dos calçados, a empresa produz uma série de equipamentos voltados para esse segmento. A maior parte das suas vendas é realizada para atacadistas e grandes grupos, tornando a empresa mais focada na produção.

A maior parte das receitas da companhia é proveniente da produção e comercialização de bolsas (42,7% da receita líquida) seguida de perto pelos calçados (35,6%). Quase todas as suas receitas são provenientes das atividades no Brasil, menos de 10% da receita é oriunda das atividades internacionais.

Grendene (GRND3)

Fonte: TC Matrix

A Grendene (GRND3) fabrica e comercializa calçados de várias marcas, sendo a Melissa o carro-chefe da empresa. A empresa possui cinco unidades fabris espalhadas pelo Brasil, uma no Rio Grande no Sul, uma na Bahia e três no Ceará (devido aos incentivos fiscais oferecidos pelo estado).

Por ter um modelo de produção diferenciado, utilizando a sua tecnologia própria de injeção de termoplásticos, a companhia consegue ter uma estrutura de custos extremamente competitiva. Inclusive, a Grendene estuda planos de expansão para o mercado asiático já que a rentabilidade da companhia permite competir com os operadores mais eficientes do setor.

Vulcabras (VULC3)

Fonte: TC Matrix

A Vulcabras (VULC3) começou como uma empresa produtora de sapatos de couro, logo após migrou para elaboração de calçados em PVC. Atualmente, as principais marcas que a Vulcabras opera são a Olympikus, Azaleia e a Under Armour.

Interessante destacar que a companhia é controlada pelos irmãos Grendene que também estão no controle da empresa que leva o sobrenome da família.

Esperamos que este texto tenha ajudado o investidor a conhecer um pouco mais das empresas especializadas na produção e comercialização de calçados na B3, além de entender a dinâmica setorial nacional e global da indústria de calçados. Bons investimentos!

Lucas Costa
Lucas Costa, CGA
Analista TC Matrix. Graduando em Economia pela UFPB
Membro do Projeto Quantum e vencedor do Prêmio Calouro Destaque em 2018

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