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Smart Beta: conheça essa estratégia de investimento

02/09/2021 às 17:25

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Neste artigo, vamos falar sobre o Smart Beta, uma estratégia de investimento cada vez mais popular mundo afora, mas que ainda não é tão difundida no mercado brasileiro. 

O sumário está exposto abaixo:

  • O que é o Smart Beta?
  • O que são betas e alfas?
  • Como são construídos os índices Smart Beta?
  • Para que tipo de investidor foram feitas as estratégias Smart Beta?
  • Conclusão

O que é o Smart Beta?

O Smart Beta é um termo usado para designar uma estratégia de construção de índices que busca combinar os benefícios de uma estratégia passiva de investimento com os benefícios de uma estratégia ativa de investimento.

Investimento Ativo

O investimento ativo é aquele que depende da atuação constante do investidor. Seu principal objetivo é superar o retorno médio de um benchmark específico, geralmente o índice local. Investidores que realizam gestão ativa, fazem uma análise bastante aprofundada dos ativos que possuem, buscando encontrar o melhor momento para entrar e sair de sua posição. 

Investimento Passivo

O investimento passivo é aquele que busca não depender da atuação do investidor. Como a maioria dos investidores ativos não conseguem bater o mercado, o investimento passivo busca ter uma carteira de investimentos que replica o mercado por meio de ETFs.

Pelo fato de não exigir a gestão ativa do investidor, o investimento passivo é bem mais barato.

O investimento em Smart Beta normalmente é feito através de ETFs que, apesar de serem voltados para o investimento passivo, foram construídos por meio de um conjunto de regras que buscou replicar elementos de uma gestão ativa.

O que são betas e alfas?

Para entendermos como índices Smart Beta são construídos precisamos entender o que são betas e alfas. 

O que é o beta?

Quando falamos de beta em finanças, quase sempre estamos nos referindo ao beta presente no Capital Asset Price Model (Sharpe, 1964): 

R = Rf + β(RmRf) + α

O beta mede a sensibilidade do ativo em relação ao risco de mercado, dividindo a variação no nível de preços do ativo pela variação do índice de mercado geral (Ibovespa, S&P 500):

Se uma ação possui um beta mais próximo de 1, seu retorno esperado é igual ao retorno médio do mercado. Se possui um beta de -1, o ativo possui uma correlação negativa (perfeita) com o mercado.

O que é o alfa?

O trade-off entre risco e retorno é um dos tópicos mais antigos da teoria financeira. O cálculo do retorno de um dado investimento sempre foi uma preocupação dos financistas, isso porque um retorno positivo quase sempre esteve associado a um nível alto de risco.

Em 1967, em seu paper “The Performance of Mutual Funds in the Period 1945-1964”, Jensen criou uma medida que representa a taxa de retorno (acima do esperado) ajustada pelo risco.

Essa medida ficou posteriormente conhecida como alfa, ou alfa de Jensen. 

A fórmula para o cálculo do alfa é apenas uma reorganização das variáveis do CAPM:

α = R – Rf – β(RmRf)

Quando resolvemos a equação e encontramos o alfa, podemos determinar o quanto um investimento rendeu acima do esperado considerando seu nível de risco. 

É importante frisar que para uma estratégia gerar alfa é preciso que ela tenha um retorno superior ao risco que corre. Superar o benchmark (Ibovespa, no caso do Brasil) é diferente de gerar alfa, pois investidores podem ter retornos positivos apenas pelo elevado nível de risco que correram.

O objetivo dos fundos que seguem índices ou estratégias Smart Beta é justamente gerar alfa através do conjunto de regras utilizados em sua criação.

Como são construídos os índices Smart Beta?

Como dito anteriormente, os índices Smart Beta são construídos com base em uma série de fatores e critérios. Os principais fatores são: valor, tamanho, momentum, qualidade e volatilidade.

Valor

O fator valor busca as ações com um preço abaixo dos seus fundamentos. Os múltiplos usados para o cálculo são price to book, preço sobre lucro, dividendos e fluxo de caixa livre. Hoje, o fator valor está presente no modelo de 3 fatores de Fama e French (1993). 

Tamanho

O fator tamanho reúne ações com base em seu valor de mercado. No mercado americano, observou-se que ações de empresas com baixo valor de mercado apresentam retornos maiores que empresas maiores (Banz, 1981). Logo, uma das características de estratégias baseadas no fator tamanho é comprar ações com menor valor de mercado. 

Assim como o fator valor, está presente no modelo Fama-French (1993).

Momentum

O fator momentum reúne as ações que tiveram um bom desempenho nos últimos 12 meses. Isto por conta da tendência das ações com retornos passados altos continuarem a manter o mesmo padrão em períodos futuros. 

Volatilidade

Ações com volatilidade menor tem um retorno ajustado pelo risco maior que ações voláteis. Com isso, o fator volatilidade reúne as ações com a menor volatilidade em relação a um índice de referência.

Qualidade

O fator qualidade seleciona ações de empresas que possuem lucros estáveis, modelos de negócio duráveis, baixo endividamento e uma forte governança corporativa. 

Fonte: Smart Beta Interactive 

Além dos critérios principais, também existem estratégias de Smart Beta que escolhem ações com base na renda por proventos, ou por vários dos fatores citados acima combinados.

Renda

Estratégias com base no critério renda (income) selecionam ações com foco em renda passiva via proventos, sejam small, mid ou large caps. Existem ETFs que selecionam as ações com maior yield de dividendos e outros que selecionam as ações que mais aumentaram seus pagamentos de proventos ao longo dos anos.

Multifatores

Um índice ou fundo baseado em multifatores busca combinar fatores e classes de ativos para aumentar o retorno e diminuir o risco. Um exemplo simples seria uma estratégia que combina em pesos iguais ações presentes em índices de qualidade, momentum e tamanho.

Fundos Smart Beta vs Índices Smart Beta

É comum que isso cause algum tipo de confusão. Existem fundos de investimento que possuem alocação em estratégias Smart Beta; existem fundos de índice (ETFs) que buscam replicar índices Smart Beta; e existem os índices Smart Beta, que são uma tentativa de recriar um índice de mercado com pesos e fatores diferentes.

Na B3, temos cinco índices Smart Beta diferentes. Criados em parceria com a S&P Dow Jones Índices (DJI), focam nos fatores: baixa volatilidade, qualidade, momentum e valor.

Índices Smart Beta Presentes na B3

Índice S&P/B3 Baixa Volatilidade: Reúne as ações de melhor desempenho do quartil superior do mercado Brasileiro. São selecionadas as ações de menor volatilidade medida pelo desvio padrão presentes no índice Índice S&P Brazil BMI. 

Índice S&P/B3 ponderado pelo Inverso do Risco: Reúne ações do mercado brasileiro ponderadas pelo inverso de sua volatilidade. Usa a abordagem de inclinação (tilt approach), também oferecendo exposição ao fator baixa volatilidade.

Índice S&P/B3 Momento: Reúne ações do mercado brasileiro que possuem bom desempenho relativo pelo critério de momento e preço ajustado pelo risco. Medindo apenas o desempenho do quartil superior das ações do mercado acionário brasileiro.

Índice S&P/B3 Qualidade: Também mede o desempenho do quartil superior das ações de alta qualidade do mercado brasileiro, só que nesse caso selecionadas conforme pontuação para o conceito de qualidade global. 

Índice S&P/B3 Valor Aprimorado: Também mede o desempenho do quartil superior das ações de alta qualidade do mercado brasileiro, só que nesse caso selecionadas conforme pontuação para o conceito de qualidade global. 

Para que tipo de investidor foram feitas as estratégias Smart Beta?

As estratégias Smart Beta foram criadas para servir tanto investidores que acreditam em algum nível de eficiência do mercado, quanto investidores que acreditam no value investing. Os índices e fundos aceitam diversas classes de ativos, como ações, renda fixa, ETFs, commodities.

Quais as vantagens de seguir uma estratégia Smart Beta?

  1. A diversificação característica reduz o risco do seu portfólio
  2. Você paga menores taxas de administração e tem pouquíssimos custos de manutenção
  3. Você investe em uma estratégia baseada em fatores macroeconômicos e de risco, resultando em menor exposição ao viés dos gestores dos fundos ativos.

Quais os riscos de seguir uma estratégia Smart Beta?

  1. Assim como os ETFs comuns, um índice smart beta pode acabar tendo ativos “ruins” em sua composição.
    Exemplo: Um índice smart beta de momentum pode selecionar ações que mesmo sem bons fundamentos subiram muito durante os últimos 12 meses.
  2. Um índice smart beta pode ter uma concentração acima do que deveria em um mesmo setor.
    Exemplo: Geralmente setores perenes têm ações menos voláteis, o que poderia levar um fundo smart beta de baixa volatilidade a concentrar um pouco demais nestes setores.
  3. Os fundos smart beta baseados no fator valor (que se baseia em múltiplos simples) podem fazer uma seleção bastante superficial.

Conclusão

Como vimos, o Smart Beta é uma metodologia alternativa de construção de um índice ponderado que busca alocações com base em fatores específicos como valor, tamanho e volatilidade. 

Com a construção de ETFs com base nos índices Smart Beta, investidores ganham alternativas ao investimento em BOVA11, com novos pesos e regras de investimento que podem ser preferíveis à composição comum do índice.

Com relação ao desempenho dos ETFs Smart Beta, temos evidências que existem estratégias que entregam um retorno ajustado ao risco superior ao Ibovespa de forma consistente (Pasquali, 2017). Apesar disso, assim como fundos de gestão ativa, devemos fazer um estudo cuidadoso antes de investir, a fim de verificar se sua estratégia se adequa a seu perfil de investidor.

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Referências

Jensen, Michael C., The Performance of Mutual Funds in the Period 1945-1964 (May 1, 1967). Journal of Finance, Vol. 23, No. 2, pp. 389-416, 1967, Available at SSRN: https://ssrn.com/abstract=244153 or http://dx.doi.org/10.2139/ssrn.244153 

FAMA, E. F.; FRENCH, K. Common risk factors in the returns on stocks and bonds. Journal of Financial Economics, 33, p. 3-56, 1993. 

Rolf W. Banz, The relationship between return and market value of common stocks. Journal of Financial Economics,Volume 9, Issue 1,1981,Pages 3-18,

FERREIRA, Gabriel Wadih de Oliveira. Smart Beta: uma aplicação ao mercado de ações brasileiro. Porto Alegre : UFRGS, 2015. Dissertação (Mestrado em Economia) – Programa de Pós-Graduação em Economia, Faculdade de Ciências Econômicas, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2015. 

PASQUALI, A. M. (2017). Estratégia de value investing no mercado de ações brasileiro: um comparativo de desempenho do Smart Beta fundamentalista em relação ao índice de valor de mercado. Trabalho de conclusão de especialização em Finanças, Escola de Administração, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS, Brasil.

Smart Betas. B3. Disponível em: <http://www.b3.com.br/pt_br/market-data-e-indices/indices/indices-em-parceria-s-p-dowjones/smart-betas.html>. Acesso em: 26 de agosto de 2021.

O que é um fundo de investimento Smart Beta. ContabilidadeMQ. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=sXf3uMLgG5c>. Acesso em: 26 de agosto de 2021.

Lucca Carlini
Lucca Carlini
Estudante de Economia na UFPE

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