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Conheça o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE)

18/08/2021 às 16:37

TC School

O tema sustentabilidade empresarial ganhou força no mundo principalmente durante a década de 1990, com a reunião de vários países para discutir sobre o impacto ambiental que o desenvolvimento industrial estava causando no mundo, que ocorreu em Kyoto, no Japão, em 1997.

As discussões foram prolongadas nas próximas décadas e o Brasil foi sede de uma das mais importantes reuniões sobre o tema, a Rio +20, que ocorreu no Rio de Janeiro, em 2012. A Rio+20 estabeleceu diretrizes sustentáveis que atendam às demandas do crescimento econômico, buscando um desenvolvimento sustentável.

  • O que é o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE)?
  • ISE B3
  • Desempenho das cias do ISE

Boa leitura!

ISE

O que é o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE)?

Como o mercado se torna cada vez mais aberto e competitivo, a sustentabilidade empresarial acabou se tornando uma pauta importante para as instituições devido à grande visibilidade do tema (Peixoto et al. 2016).

O conceito de sustentabilidade empresarial, segundo Artiach et al. (2010), corresponde à tarefa de fornecer resultados competitivos em curto prazo e, simultaneamente, proteger, sustentar e resguardar os recursos naturais e humanos necessários no futuro.

No entanto, os investimentos neste tema já não são vistos somente como gastos para cumprir a legislação, mas sim uma oportunidade de obter vantagens competitivas (Peixoto et al. 2016).

Segundo Anderson (2006), o cuidado com o meio ambiente traz vantagens como a criação de valor para acionistas, redução de custo de capital e endividamento, demanda por investidores e clientes e melhora da reputação da empresa.

As vantagens para as empresas que investem em sustentabilidade também são causadas pela tendência de os investidores buscarem por empresas sustentáveis que aplique seus recursos com responsabilidade social, com o propósito de escolher aquelas que apresentam uma melhor imagem perante a sociedade.

Isso ocorre pois consideram que tais empresas possuem melhor capacidade de gerar maior valor para o acionista em longo prazo (BISCO, 2009).

ISE B3

O primeiro índice de bolsa de valores relacionado à empresas sustentáveis foi o Dow Jones Sustainability Index, criado em 1999. Desde então, várias outras bolsas de valores aderiram a ideia e criaram o seu índice de empresas sustentáveis, como Brasil, Alemanha, Chile, Índia, entre outros.

Criado em 2005, o Índice de Sustentabilidade Empresarial B3 (ISE B3) é uma iniciativa pioneira na América Latina que busca criar um ambiente de investimento compatível com as demandas de desenvolvimento sustentável da sociedade contemporânea e estimular a responsabilidade ética das corporações.

É um índice que mede o retorno médio de uma carteira teórica de ações de empresas de capital aberto e listadas na B3 com as melhores práticas em sustentabilidade corporativa – baseada em eficiência econômica, equilíbrio ambiental, justiça social e governança corporativa.

Linha do tempo de índices semelhantes ao ISEB3

ISE B3

Fonte: B3

A mais recente carteira do ISE B3 vigora no período de 06 de janeiro de 2020 a 01 de janeiro de 2021. A atual carteira do índice reúne 36 ações de 30 companhias.

Além disso, representa 15 setores e soma R$ 1,64 trilhão em valor de mercado. Esse montante equivale a 37,62% do total do valor de mercado das companhias com ações negociadas na B3, com base no fechamento de 26/11/2019.

Além de representar grande parcela do valor total negociado na B3, a rentabilidade do índice apresentou performance de +266,19% contra +235,43% do Ibovespa (base de fechamento em 26/11/2019). No mesmo período, o ISE B3 teve ainda menor volatilidade: 23,86% em relação a 26,51% do Ibovespa.

Um detalhe importante para estar no ISE é o critério de alocação para 5% dos principais fundos presentes no Brasil.

As 30 companhias que compõem o ISEB3 em 2020

CIA ISEB3

Fonte: B3

Os três objetivos estratégicos traçados para o índice entre 2016 e 2020 são:

  1. Aumentar a relevância do ISE para os investidores
    • Evidenciar as relações entre sustentabilidade empresarial e desempenho econômico-financeiro;
    • Identificar e motivar o uso do ISE por formadores de tendência do mercado financeiro;
    • Ampliar a utilidade para os agentes do mercado – investidores, gestoras, analistas, etc.
  2. Fortalecer o papel do ISE para uma cultura de sustentabilidade nas empresas
    • Ressaltar o ISE como fonte de maior competitividade na atração de capitais;
    • Facilitar e incentivar o uso do ISE como instrumento de diagnóstico e transparência.
  3. Ampliar o reconhecimento do ISE pela sociedade
    • Dar visibilidade à contribuição do ISE aos mais diversos públicos por meio de ações de comunicação e engajamento.

Itens que influenciam na avaliação da empresa

AVALIAÇÃO

Fonte: B3

O Conselho Deliberativo da ISE B3, chamado CISE, é composto por 11 instituições e presidido pela B3 com vice-presidência da APIMEC.

Empresas que compõem o CISE

EMPRESAS CISE

Fonte: B3

Desempenho das cias do ISE

Lameira et al. (2013) fez um estudo sobre a relação entre o desempenho, risco e valor de mercado de empresas incluídas no ISE e empresas não incluídas no índice.

Os resultados obtidos indicaram haver uma associação positiva entre a inclusão no ISE e melhores indicadores de desempenho e valor das empresas. Ou seja, empresas incluídas no índice apresentam um melhor desempenho e um maior valor quando comparadas a empresas do mesmo setor que não estão no índice.

Já os resultados da associação entre ISE e os indicadores de risco (em especial a volatilidade) apresentaram uma associação negativa.

Nogueira e Gomes (2012) analisaram o desempenho do ISE em relação ao seu retorno e risco em comparação com outros índices da BM&FBovespa. Segundo o estudo, o ISE superou os resultados de alguns dos demais índices da BM&FBovespa.

Além disso, ele apresentou resultados positivos para o Índice de Sharpe, indicando que o risco que ele oferece é recompensado, superando resultados de alguns outros índices da bolsa, como ITEL, IMOB, ITAG, IVBX e IFNC, o que faz com que ele se mostre como um investimento atrativo.

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Referências

ANDERSON, D. Sustainability risk management. CPCU eJournal, v. 59, i. 5, 2006.

ARTIACH, T. et al. The determinants of corporate sustainability performance. Accounting Finance, v. 1, i. 50, p. 31-51, 2010.

BISCO, E. Sustentabilidade empresarial: um estudo comparativo sobre o desempenho e valor financeiro de empresas listadas no mercado acionário brasileiro. 2009. 110 p. Dissertação (Mestrado em Administração) – Universidade Metodista de São Paulo, São Paulo, 2007.

LAMEIRA, V. de J. et al. Sustentabilidade, valor, desempenho e risco no mercado de capitais brasileiro. Revista Brasileira de Gestão de Negócios, v. 15, n. 46, p. 76-90, 2013.

NOGUEIRA, C. M. da S.; GOMES, A. C. C. Desempenho do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) sob a perspectiva do Retorno Ajustado ao Risco: sustentabilidade gera retorno? Revista Espaço Acadêmico, n. 131, 2012.

PEIXOTO, Fernanda Maciel; PAINS, Marielle Barcelos; ARAÚJO, Aracy Alves de; GUIMARÃES, Thayse Machado. custo de capital, endividamento e sustentabilidade empresarial: um estudo no mercado de capitais brasileiro no período de 2009 a 2013. RACE: Revista de Administração, Contabilidade e Economia, Joaçaba: Ed. Unoesc, v. 15, n. 1, p. 39-66, jan./abr. 2016. Disponível em: <http://editora.unoesc.edu.br/ index.php/race>. Acesso em: 14/08/2020.

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