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Você está no ponto de Polônio?

15/03/2021 às 11:00

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Você está no ponto de Polônio? Caso não saiba o que isso quer dizer, ao final do texto você irá conseguir responder a esse questionamento. Entretanto, adiantamos que a maioria dos brasileiros não se encontram nesse tal ponto de Polônio. Diante disso, com o objetivo de facilitar o entendimento deste texto, elencamos os seguintes tópicos:

  • Restrição orçamentária: o que é?
  • Decisão de consumo ao longo do tempo
  • O valor do dinheiro ao longo do tempo
  • O ponto de Polônio
  • A escolha intertemporal

Boa leitura!

Restrição orçamentária

Conforme abordamos no texto “O que é economia?”, nós vivemos rodeados de restrições financeiras, de tempo, de habilidades etc. Sendo assim, em se tratando de consumo, temos a restrição orçamentária.

A restrição orçamentária é um conceito abordado em microeconomia e significa basicamente o seu limite de consumo, dada a sua renda. Ou seja, você possui uma renda que lhe permite conseguir uma série de bens, mas que impede você de consumir bens muito mais caros que a sua renda.

Diante disso, se você recebe um salário de R$ 1.000,00, isso é a sua restrição orçamentária. Ou seja, uma restrição financeira que limite o seu consumo. Você não consegue consumir mais que isso, ou melhor, até pode, como veremos mais à frente, mas lembre-se: “Não existe almoço grátis”.

Restrição orçamentária e a maximização do consumo

Uma vez que há uma restrição ao consumo, e dado que nossos desejos por bens e serviços são quase que ilimitados, buscamos maximizar o nosso consumo como forma de possuir o maior nível de bem estar possível. Nesse sentindo, maximizar significa consumir o máximo possível com o que há disponível.

Decisão de consumo ao longo do tempo

Após a explanação sobre a restrição orçamentária, temos outros pontos a serem analisados neste texto: as decisões de consumo ao longo dos anos.

Ao longo da nossa vida recebemos um fluxo de renda. Dessa forma, no presente, podemos consumir menos do que a nossa renda e, consequentemente, possuir mais dinheiro no futuro para o consumo.

Para facilitar o entendimento deste ponto, vamos a um exemplo prático. Suponha dois períodos de tempos de consumo, onde C é o consumo e R a renda. Desse modo, temos:

R1 – C1 < R2 – C2

Onde,

  • R1 é a renda no período 1;
  • C1 é o consumo no período 1;
  • R2 é a renda no período 2; e
  • C2 é o consumo no período 2.

Na equação acima, temos uma situação em que o consumo no período 1 é menor do que a renda desse período. Por outro lado, no período 2 o consumo é maior do que a renda do período dois.

Nessa situação, o indivíduo decidiu consumir menos no momento presente para aumentar o consumir em um segundo momento no futuro.

Entretanto, você pode questionar que esse exemplo não é muito realista porque não leva em consideração o valor no dinheiro no tempo. Realmente, nessa situação não levamos em conta isso, mas levaremos a seguir. Acompanhe.

O valor do dinheiro no tempo

Em economia definimos os juros como sendo o preço do dinheiro. Diante disso, em se tratando de finanças pessoais, podemos ser poupadores ou devedores. Quando consumimos em um patamar menor do que a nossa renda permite, somos classificados como poupadores.

Com isto, ao pouparmos dinheiro, buscamos algum tipo de rendimento para esse dinheiro. Portanto, podemos dizer que os poupadores emprestam dinheiro para quem precisa e, em troca disso recebem os juros, com melhor preço do dinheiro.

Vale lembrar que essas transações ocorrem no mercado de crédito, que é responsável por conectar poupadores e tomadores de empréstimos, mas isso fica para um próximo texto. Não deixe de conferir os artigos sobre educação financeira no TC.

Nesse contexto, o contrário também é verdade. As pessoas podem consumir em um nível maior do que aquele permitido pela renda. Para isso, toma-se um empréstimo. E, como vocês já sabem, os tomadores de empréstimos pagam juros ao poupador.

Dessa forma, a conclusão que podemos tirar é a seguinte:

O poupador decide por consumir menos no presente para consumir mais no futuro, conforme podemos observar na equação abaixo.

C2 = R2 + R1 – C1 + j(R1- C1)

Logo, para os indivíduos poupadores, o consumo futuro (C2) é dado pela renda futura (R2) acrescido da poupança realizada no período anterior (R1- C1), acrescido ainda dos juros ganhos sobre a poupança do período anterior jR1- C1.

Por outro lado, o tomador do empréstimo fica em uma situação contrário a do poupador, ou seja, o consumo futuro é menor que o consumo presente conforme podemos observar na equação abaixo.

C2 = R2 – j(R1 – C1) – (R1- C1)

Desta forma, para os indivíduos tomadores de empréstimos, o consumo futuro é comprometido por conta do pagamento dos juros. Na equação, temos que o consumo futuro (C2) é resultado da renda futura (R2) menos os juros sobre o empréstimo, menos o valor do empréstimo realizado no período anterior.

Nesse sentido, há um trade-off entre consumir no presente ou no futuro e a resolução para essa questão vai depender de uma série de questões, como por exemplo, a taxa de juros. Entretanto, você deve estar se perguntando ainda sobre o ponto de Polônio falado no início deste texto. Então, vamos ao ponto de Polônio.

Ponto de Polônio

A relação entre William Shakespeare e a microeconomia

Nos tópicos anteriores falamos de duas possibilidades quando o assunto é o consumo ao longo do tempo, mas não há apenas duas possibilidades, são três possibilidades ao todo.

Explicamos a situação onde o indivíduo é poupador, além da situação onde o indivíduo é tomador de empréstimo. Diante desse cenário, a terceira situação que pode ocorrer é do indivíduo que nem poupa, mas também não toma emprestado, ou seja, ele consome exatamente o valor da sua renda ao longo dos períodos.

C1 = R1 e C2 = R2

É a situação três, onde o indivíduo nem poupa, mas também não toma emprestado, é que é dado o nome de “Ponto de Polônio”. Esse nome é oriundo de uma das criações de William Shakespeare, a tragédia Hamlet.

Em uma das cenas, Polônio se dirige ao filho e diz: “Não tomes por empréstimo e tampouco emprestes, que o empréstimo nos faz perder dinheiro e amigo e o gume da poupança as dívidas embotam.” (VARIAN, 2006, p. 179).

A escolha intertemporal

A escolha intertemporal no dia a dia

A escolha intertemporal está muito presente no nosso dia a dia. Quando tomamos um empréstimo junto ao banco, por exemplo, estamos antecipando o nosso consumo e, consequentemente, comprometendo o consumo futuro com o pagamento do valor que foi tomado por empréstimo mais os juros que renderam ao longo do período.

E aí, você está no ponto de Polônio?

Referência

VARIAN, Hal R. Microeconomia-princípios básicos. Elsevier Brasil, 2016.

Vitor Nayron Moreira de A. Marques
Vitor Nayron Moreira de A. Marques
Estagiário do TradersClub
Graduando em Economia pela UFPB. Membro do Projeto Educação Financeira Para Toda a Vida.

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