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Marcação a mercado: o que é e como funciona

04/08/2021 às 15:49

TC School

No texto de hoje vamos explicar de uma forma simples e descomplicada sobre a marcação a mercado. É um novo texto sobre investimentos em títulos públicos.

Durante toda a série de artigos, discutimos a lógica dos títulos públicos federais e a criação do Sistema Tesouro Direto para um maior acesso aos ativos por pessoas físicas, além de termos comentado sobre os títulos públicos disponíveis para investimento no site do governo.

Durante essa trajetória, comentamos sobre o conceito de renda “fixa” como a certeza de um determinado pagamento a uma pré ou pós taxa determinada na emissão do título. Assim, podemos entender o fato de que o preço de determinados títulos pode variar ao longo do tempo até sua data de vencimento.

Portanto, agora já podemos discorrer sobre como se dá a precificação desses títulos nesse período. A seguir, você irá encontrar:

  • O que é Preço Unitário (PU)?
  • Exemplos de PU
  • Conceito de VNA
  • O que é MtM?
  • Conceito de Inflação Implícita
  • Exemplo de estratégia operacional para proteção da inflação implícita

Disclaimer: todos exemplos utilizados possuem apenas um caráter educativo, não caracterizando-se assim como recomendações de investimento.

Boa leitura!

marcação a mercado

Preço Unitário (PU)

Para melhor compreensão dessa dinâmica, é importante entendermos o conceito de Preço Unitário (PU) de um título.

O PU de um título é o valor dele no atual momento. Por exemplo, se o Valor Nominal de um determinado título é R$ 1.000,00, significa que o detentor receberá esse valor na data do vencimento. Portanto, o valor pago será dado pelo ágio (ou, raramente, o deságio) entre o preço de compra somado à rentabilidade.

Por exemplo, se o recebimento for de R$ 1.000,00 e o tomador comprá-lo por R$ 800,00, podemos dizer que o tomador está comprando um título com rentabilidade de 25% para retirada na data do vencimento.

Assim sendo, o valor pago (R$ 800,00) é o Preço Unitário. Tal conceito pode ser fundamental para análises de rentabilidade, visto que ao conhecer uma taxa de juros e o valor futuro de um título, pode-se deduzir seu valor presente (seu Preço Unitário).

Preço Unitário LTN

O PU das Letras do Tesouro Nacional é simples como no exemplo dado, ou seja, sabe-se exatamente a taxa de rentabilidade no momento de compra do título.

PU

Fonte: Apostila de Renda Fixa – Liga de Investimentos e Finanças UFPR

Preço Unitário NTN-F

Já é sabido que as Notas do Tesouro Nacional Série F diferem das NTN’s apenas pelo pagamento semestral de cupons, fazendo-se possível conhecer seu PU através do desconto da taxa e dos cupons.

NTN-F

Fonte: Apostila de Renda Fixa – Liga de Investimentos e Finanças UFPR

Preço Unitário NTN-B Principal

Para saber o PU de uma Nota do Tesouro Nacional série B Principal, é necessário apenas adicionar a inflação ao valor presente e, em seguida, deduzir o chamado fator de desconto – responsável por descontar o preço futuro conforme a taxa de juros e o tempo.

Preço Unitário NTN-B

Ocorre o mesmo acréscimo da inflação ao valor presente (como em NTN-B) e, adicionalmente, é realizado o fluxo de caixa com pagamento de cupons, da mesma maneira que em NTN-F. Possuem os vencimentos mais longos dos TPF.

Valor Nominal Atualizado (VNA)

Após passar por todos os conceitos necessários para se entender a rentabilidade e a precificação de um título, achamos interessante ilustrar o Valor Nominal Atualizado (VNA) de alguns títulos, ou seja, qual o comportamento do preço atualizado de um determinado título.

Em nossa apostila da Liga UFPR, demonstramos alguns exemplos a mais e fazemos simulações na prática da rentabilidade de determinados títulos públicos. Aqui, temos para título de curiosidade a demonstração gráfica do VNA de uma NTN-B – lembrando que esse valor é atualizado geralmente no dia 15 (data referência para divulgação do IPCA):

vna

Fonte: Apostila de Renda Fixa – Liga de Investimentos e Finanças UFPR

Temos reforçado o conceito da variação de valores em ativos de renda fixa para melhor compreensão aos riscos presentes nas operações. Agora, faz-se necessário compreender o principal fator de variação desse preço: a taxa de juros.

Reforçamos aqui: a rentabilidade contratada só será adquirida caso o tomador leve o título até seu vencimento.

Marcação a Mercado (MtM)

Para explicitar essa correlação, podemos dizer que sempre que a taxa de juros básica (Selic meta) aumentar em relação à taxa contratada ocorrerá uma redução do PU e, nesse momento, o título apresentará uma rentabilidade menor do que a contratada – a queda em relação à taxa contratada possui um efeito inverso.

Podemos ilustrar essa situação ao assumirmos o Preço Unitário como o preço de aquisição do título e analisarmos a curva em negrito como a taxa de marcação a mercado no momento do cálculo do Preço Unitário da negociação, delimitada pela curva que não está em negrito (a taxa de mercado no momento de aquisição do título, ou seja, a taxa pré-determinada no momento de aquisição do título):

PU

Fonte: Eduardo Fortuna (2020) – Livro: Mercado Financeiro, Produtos e Serviços

Assim, podemos concluir que diariamente o mercado está realizando negociações de títulos de um mesmo emissor e, paralelamente, cada próximo tomador do título está negociando e sendo remunerado por uma taxa instantaneamente determinada pelo mercado – definimos essa dinâmica como Marcação a Mercado (MtM).

É por esse motivo que investidores acompanham os movimentos de política monetária e se atentam à curva de juros futuros – esta que representa a expectativa de agentes econômicos frente às atuais condições de mercado.

Rendimentos dos títulos pós-fixados pela taxa SELIC

Os títulos reagem de diferentes maneiras às mudanças do mercado. Observemos agora os rendimentos dos títulos pós-fixados pela taxa SELIC nos últimos anos:

lft

Fonte: Banco Central do Brasil

Títulos que possuem o mesmo emissor e mesma data de vencimento terão sempre o mesmo PU.

Inflação Implícita

Um conceito importante para se ambientar é o de Inflação Implícita.

Esta é muito utilizada para análises macroeconômicas visto que representa uma trava (uma garantia de proteção com taxa determinada) para o juro real. Quando se cita a relação rentável real de algum ativo, pretende-se medir a taxa de rentabilidade descontada da inflação – esta que representa a perda do poder de compra da moeda na qual o ativo foi investido.

Essa taxa pode ser calculada pela diferença entre a taxa de mercado de uma NTN-B e a taxa de um juro prefixado.

Exemplo importante de operação é o de comprar a inflação implícita.

Sabemos que a compra de um ativo indexado ao índice de inflação representa uma proteção contra a perda do poder de compra da moeda. Na mesma linha de pensamento, pode-se comprar uma NTN-B e  um contrato de juros futuros (DI) que possua o mesmo prazo.

Imagine que, além de se estar comprado em um ativo que rende a medida da inflação em determinada data de vencimento, o investidor protege-se ao estar comprado em um ativo que renderá também a expectativa de inflação no juros futuros (ao sofrer choques inflacionários, a medida inflacionária na data de vencimento do título pode estar abaixo das expectativas de inflação).

Considerações Finais

O exemplo de marcação a mercado demonstra um tipo de aplicação em que um investidor profissional estrutura uma operação para se proteger da inflação implícita. Em nossa apostila da Liga UFPR, discutimos mais aplicações voltadas para o cotidiano de pessoas físicas, cabe ao investidor se informar e buscar aplicações conscientes e com uma boa rentabilidade real.

E, por fim, recordamos aqui que todos os exemplos ilustrados tiveram caráter educativo, não demonstrando uma recomendação de investimento.

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Pedro Felicio
Liga de Investimentos e Finanças UFPR
Trainee da Liga UFPR.

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